Assembleia da República

PSD, PCP e BE pedem subidas salariais, Santos Silva avisa Ventura e ouve palmas

PSD, PCP e BE pedem subidas salariais, Santos Silva avisa Ventura e ouve palmas

O líder do PSD, Rui Rio, exigiu que os salários sejam "ajustados" de modo a acompanharem a inflação, acusando também o Governo de "lucrar com a guerra" na Ucrânia ao não baixar o preço dos combustíveis. À Esquerda, PCP e BE criticaram igualmente o Executivo por não prever reforços salariais; à Direita, Ventura imputou um crime individual a toda a comunidade cigana e foi advertido pelo presidente da Assembleia, numa interrupção aplaudida de pé de forma quase unânime.

No discurso de encerramento do debate sobre o programa do Governo, Rio afirmou que a inflação é "um novo fenómeno que altera significativamente as circunstâncias" em que o Executivo tem de operar. Nesse sentido, pediu "uma política de rendimentos que acomode uma inflação como há muito não conhecíamos".

Para que o Executivo "cumpra o prometido" antes das legislativas, "os valores prometidos, seja para o salário mínimo, para as pensões de reforma ou para os salários da Função Pública têm de ser ajustados com o nível de inflação que temos de enfrentar", frisou.

"Se assim não for, teremos uma acentuada perda do poder de compra", afirmou Rio. Recorde-se que o Governo aumentou o salário mínimo para 705 euros em janeiro e que subiu os salários da Administração Pública em 0,9%, ao passo que a inflação atual ronda os 5%.

As preocupações de Rio sobre os salários foram acompanhadas pelos partidos de Esquerda. O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou que, ao não reforçar rendimentos, o Governo "está a dizer que serão os trabalhadores e os reformados a pagar a crise com as suas condições de vida".

Já Catarina Martins, coordenadora do BE, referiu que "o mesmo António Costa que assegura que a crise é transitória reconhece que o fim da guerra é imprevisível". Assim, a bloquista disse ter "uma única certeza" a este respeito: "Com a recusa da atualização dos salários pela inflação, o que o Governo veio anunciar é o corte real de salários".

Santos Silva visa Ventura: "Não há atribuições coletivas de culpa"

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O líder do Chega, André Ventura, usou o seu discurso para justificar a moção de rejeição que apresentou ao Governo (e que tem chumbo garantido). Aproveitando o facto de, nesta sexta-feira, se assinalar o Dia Internacional das Comunidades Ciganas, acusou o Parlamento de desprezar crimes cometidos por membros desta comunidade.

Tomando a parte pelo todo, referiu-se por várias vezes, de modo genérico, a agressões a GNR e a bombeiros, responsabilizando "os ciganos" e as "minorias apaparicadas".

O presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, resolveu intervir: "Permita-me que o interrompa para lhe dizer que não há atribuições coletivas de culpa em Portugal", observou.

O Parlamento, com a exceção do Chega e de alguns deputados de PSD e IL, ergueu-se para aplaudir a repreensão a Ventura. Ao retomar a palavra, o deputado garantiu que não mudará o seu comportamento.

Minutos mais tarde, o líder do Chega apresentou um protesto contra a "censura" de que, no seu entender, foi alvo. Santos Silva respondeu que o regimento da Assembleia o obriga a interromper os deputados "quando o discurso se torna injurioso ou ofensivo".

"O que eu fiz foi cumprir esta obrigação e tenciono fazê-lo sempre que for necessário", concluiu a segunda figura do Estado, recebendo novo aplauso geral.

No seu discurso de encerramento, o líder parlamentar da IL, Rodrigo Saraiva, considerou que o novo Governo vai trazer "mais do mesmo", já que "o PS não faz ideia de como pôr o país a crescer". O deputado criticou a visão "estadocêntrica" dos socialistas e reivindicou "mais liberdade de escolha" na Saúde e Educação.

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