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Mais de três mil casos diários "dentro de dias, se não houver cautela"

Mais de três mil casos diários "dentro de dias, se não houver cautela"

A "situação crescente" no que diz respeito aos novos casos diários de covid-19 em Portugal tenderá a agravar-se, alertou a ministra da Saúde, apontando para a eventualidade de haver, em breve, três mil novos infetados por dia.

"De acordo com as estimativas do Instituto Dr. Ricardo Jorge, estamos a enfrentar uma situação crescente que se tenderá a agravar nos próximos dias, de acordo com modelos matemáticos", disse Marta Temido, na conferência de imprensa desta quarta-feira, dia em que Portugal registou um novo número recorde de 2072 novos casos. Ressalvando, no entanto, que os modelos matemáticas ainda não refletem as medidas que serão implementadas conforme decisão do Conselho de Ministros, a ministra apontou uma estimativa de mais de três mil casos diários "dentro de alguns dias, se não tivermos a cautela necessária".

O cenário atual - 396 surtos ativos no país (178 em Lisboa e Vale do Tejo, 136 no Norte, 50 no Centro, 14 no Alentejo e 18 no Algarve) - é "preocupante", estando os casos de infeção estão a recair sobretudo nas faixas etárias dos 20 aos 29 anos, deu conta a governante, lembrando que "a doença não desapareceu e que só juntos poderemos enfrentar esta nova fase de crescimento".

A ministra da Saúde deu nota de que o Ministério da Saúde está a trabalhar em "dois eixos de ação muito concretos", cujos resultados foram hoje parcialmente conhecidos e continuarão a sê-lo até ao final do dia: a manutenção da resposta do SNS e do alivio da "pressão crescente" nas organizações e profissionais de Saúde; e a revisão das medidas de combate à pandemia.

Linha SNS24 volta a poder pedir testes

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E, no ponto das medidas, destacou três alterações: a utilização do Remdesivir, recomendada "o mais precocemente possível" em determinados doentes; os critérios de alta clínica e o fim do isolamento, que passarão a estar alinhados "com as orientações internacionais"; e os testes laboratoriais "para doentes com indicação para vigilância clínica e isolamento", que poderão voltar, no início da próxima semana, a ser pedidos pelo SNS24, como já aconteceu "no passado".

Quanto a uma possível diferença nos critérios durante o atendimento feito nas chamadas da linha SNS24, Temida explicou que "todos os atendimentos são feitos de acordo com um algoritmo". "Há uma chave de resposta que em alguns casos pode ser dada por um atendedor automático e permite resolver o contacto. Outros casos têm, de facto, um atendimento feito por um operador, mas o operador trabalha com base em fluxogramas previamente definidos e testados", assegurou.

Menos 410 mil consultas nos centros de saúde em setembro

Ainda que o SNS esteja a fazer "um esforço significativo" para manter a "resposta integral" às necessidades dos portugueses, tanto na "resposta Covid" como na "resposta às necessidades assistenciais", como disse Temido, registaram-se, em setembro, menos 410 mil consultas nos cuidados de saúde primários face ao mesmo mês do ano passado.

Sobre a carta enviada esta quarta-feira por cinco ex-bastonários e o atual bastonário da Ordem dos Médicos, em que alertam para uma resposta "insuficiente" do SNS, apelando ao envolvimento do setor privado, Marta Temido disse estar "de acordo" que este "é o momento do SNS mostrar aos portugueses que valeu a pena terem investido as suas escolhas, os seus impostos, o seu afeto naquele que é um serviço publico".

5500 camas no Norte e 6300 em Lisboa e Vale do Tejo

A região de Lisboa e Vale do Tejo tem capacidade para disponibilizar 6330 camas de enfermaria para internamento de doentes com covid-19, estando, para já, ocupadas 419. Para os cuidados intensivos polivalentes de adultos, estão ocupadas 64 de 301. Na região Norte, existem 5489 camas de enfermaria, com 294 já ocupadas. E nos cuidados intensivos estão ocupadas 56 camas, das 357 disponíveis, indicou a ministra da Saúde, lembrando que apenas uma parte das camas está pronta a ser utilizada imediatamente, sendo as restantes alocadas consoante a necessidade.

"Está neste momento a decorrer uma reunião entre a Direção-Geral da Saúde (DGS) e a Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGES) e outros parceiros para analisar" a forma como lidar com a pandemia de covid-19 nas escolas, anunciou Graça Freitas, dando conta de que as regras e orientações estão a ser revistas, depois de, nos últimos dias, várias notícias terem dado conta de medidas de escolas criticadas muito pelas famílias dos alunos.

Um mês após o início do ano letivo, podem surgir novidades da reunião, como o "afinamento das orientações, se for caso disso, para se tornarem mais claras", mas também a decisão de "formar e informar todos os atores" da comunidade educativa e da saúde.

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