Educação

Telemóveis nas escolas: uma proíbe, outra usa-os para estudar

Telemóveis nas escolas: uma proíbe, outra usa-os para estudar

O Ministério da Educação vai continuar a assegurar durante a legislatura a liberdade de escolha sobre a utilização de telemóveis em contexto escolar. Cada escola sabe de si. Na Feira, há uma que escolheu a proibição. Em Braga, há quem use os dispositivos para incentivar ao estudo. Em ambos os casos, a razão será a mesma: o bem dos alunos.

Há quatro anos, a EB 2, 3 de Lourosa baniu a utilização de telemóveis. Professores, pais e alunos elogiam medida

De sorriso farto, há raparigas e rapazes a saltarem ao elástico. Não muito longe, um jovem saltita de quadro em quadro pintado a giz no chão em mais um jogo da "macaca", enquanto outros brincam às "escondidas" ou improvisam um jogo de futebol.

O cenário do recreio na Escola EB 2, 3 de Lourosa, Feira, parece retirado de uma outra década, mas faz parte das práticas atuais do entretenimento dos jovens estudantes desde que, há quatro anos, o uso de telemóvel foi banido nesta escola.

Mónica Almeida, diretora do Agrupamento António Alves Amorim, justifica a necessidade da medida. "Os nossos jovens não socializavam uns com os outros, porque estavam agarrados ao telemóvel. Aconteceram também alguns incidentes nas salas de aulas com os professores a serem filmados e fotografados e depois as imagens colocadas nas redes sociais".

Decidida, avançou com a proibição. Apesar de haver quem não acreditasse que tal fosse possível, a ideia teve o consentimento do Conselho Pedagógico e Conselho Geral. "Os próprios encarregados de educação apoiaram", recordou.

Confirma que foi necessário "mão firme e não vacilar" e não hesitou em aplicar os castigos a quem prevaricou. "Tivemos alunos que foram suspensos por terem sido apanhados com o telemóvel". Suspensões que foram comunicadas a todos os alunos da escola, como medida de persuasão.

Passados quatro anos, Mónica Almeida faz um balanço positivo. "Para mim foi a melhor iniciativa que fizemos até hoje na escola. Foi uma mais-valia para os alunos que encontraram outras formas de brincar e conhecerem-se melhor e conseguimos prevenir muitos problemas".

Opinião partilhada por Ana Moreira, responsável pelas assistentes operacionais. "No início pensei que ia ser muito difícil e cheguei a duvidar que fosse possível concretizar. Mas os miúdos acabaram por aderir muito bem". Antes, os alunos "iam para a sala com o telemóvel na mão a jogar e só entravam depois de acabar o jogo e agora já não é assim". "Conversam mais uns com os outros, brincam muito e estão mais soltos, libertaram-se do pequeno aparelho".

Aplicação criada na Universidade do Algarve já é usada por 22 mil alunos de 100 escolas. Vai abranger mais disciplinas

Na Escola Básica Francisco Sanches, em Braga, as aulas de Matemática do 7.º ano decorrem com telemóveis na mão e tablets em cima da mesa. A responsável é a professora Ana Paula Alves, que adotou a aplicação móvel Milage Aprender+ para tornar a disciplina mais apelativa. O projeto foi criado há quatro anos por Mauro Figueiredo, da Universidade do Algarve, e já envolve 22 mil alunos, do 1.º ao 12.º ano, de 100 escolas do país.

O entusiasmo dos alunos começa desde logo pelo facto de a aplicação funcionar como uma espécie de jogo. A cada aula, a turma é desafiada a abrir uma ou mais fichas de exercícios que têm pontuação para cada alínea.

"É divertido, porque temos de tentar ultrapassar os outros. Dá mais vontade de estudar", assume Rafael Pereira, ex-aluno, com 15 anos, que venceu, no último ano, a primeira edição dos "Prémios Milage Aprender+". O concurso nacional distingue os estudantes que terminam o ano letivo com melhor classificação na aplicação, mas também os professores e alunos mais inovadores na criação de exercícios. No 7.o ano, Filipe Nunes é quem vai na dianteira. Chegou do Brasil há quatro meses e "não estava habituado a aulas assim". "Isto é diferente. Gosto muito", confessa, garantindo que não há tentação para abrir as redes sociais.

Madalena e Matilde reforçam que, no ecrã dos telemóveis, há apenas operações com potências para resolver. "Fazemos os exercícios no caderno, tiramos foto com o telemóvel e, depois, a aplicação diz se está certo ou errado. Atribuímos os pontos e aquilo que falhamos podemos ver como se faz através de vídeos. Também avaliamos as fichas dos nossos amigos", descreve Madalena.

A professora Ana Paula Alves, que não deixa de usar o quadro tradicional, vai dando apoio. Os alunos são colocados em grupos para haver entreajuda, mas cada um anda "ao seu compasso". "Deve usar-se o telemóvel na sala de aula porque os alunos ficam mais motivados para aprender, e proibir nos recreios, porque têm de socializar", defende Mauro Figueiredo, que vai estender a plataforma às disciplinas de Português, Inglês e Educação para a Cidadania.

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