Saúde

Temido emociona-se e pede desculpa "do fundo do coração" por mal-entendido sobre resiliência dos médicos

Temido emociona-se e pede desculpa "do fundo do coração" por mal-entendido sobre resiliência dos médicos

A ministra da Saúde pediu, esta tarde de quinta-feira, desculpa "do fundo do coração" pelo mal-entendido que as suas palavras sobre a resiliência dos médicos provocaram.

Marta Temido sublinhou que "não disse em momento nenhum que é necessário recrutar profissionais de saúde mais resilientes". O que disse, explicou, é que "é necessário que todos façamos um investimento em resiliência, sobretudo quem trabalha em áreas tão exigentes como a Saúde".

Emocionada, com a voz trémula, a ministra pediu desculpa se causou uma má interpretação e assumiu ficar "muito e genuinamente indignada com essa receção, com esse mal-entendido".

Na quarta-feira, durante a Comissão de Saúde, a propósito do trabalho nos serviços de urgência dos hospitais, a ministra afirmou: "Estes profissionais são, de facto, chamados a profissões extraordinariamente exigentes. E também é bom que todos nós, como sociedade e isto envolve várias áreas, pensemos nas expectativas e na seleção destes profissionais. Porque, porventura, outros aspetos como a resiliência são tão importantes como as suas competências técnicas. Estas são, de facto, profissões que exigem uma grande capacidade de resistência, de enfrentar a pressão e o desgaste e temos de investir nisso".

A declaração suscitou uma reação imediata do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) que interpretou das palavras da ministra a necessidade de contratar médicos mais resilientes. "Afirmar que têm de ser contratados médicos mais resilientes é uma imperdoável ofensa que os médicos portugueses, exaustos por centenas de horas extraordinárias (já agora, sendo obrigatórias... em exemplo não reproduzível em toda a administração pública) não mais perdoarão e esquecerão", afirmou o SIM em comunicado.

Também a Ordem dos Médicos considerou "inqualificáveis" as declarações da ministra da Saúde, afirmando que "perdeu toda a credibilidade" e que os clínicos saberão dar resposta à "atitude totalmente inaceitável".

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A informação correu veloz e as redes sociais inflamaram-se com a alegada posição da ministra, que, ao final do dia, veio esclarecer e pedir desculpa.

A polémica em torno da interpretação que os médicos fizeram das palavras da ministra também teve eco junto do presidente da República e do primeiro-ministro.

"Na cabeça de todos os portugueses, ministros, secretários de estado, deputados, Presidente da República está que os profissionais de saúde são resistentes. Tomáramos nós ser sempre tão resistentes quanto eles foram e são e serão", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, em Braga.

Já António Costa considerou ser "absolutamente indiscutível" que, mesmo nos "momentos mais terríveis da pandemia", o Serviço Nacional de Saúde e todos os seus profissionais mostraram "uma total dedicação, resiliência e empenho".

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