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Um quarto dos alunos do secundário só lê se for obrigado

Um quarto dos alunos do secundário só lê se for obrigado

Vinte e cinco por cento dos alunos do secundário de todo o país admitem que só leem se forem obrigados, conclui o estudo "Práticas de Leitura dos Estudantes dos Ensinos Básico e Secundário", da autoria do Centro de Investigação de Estudos de Sociologia (CIES) do ISCTE e do Plano Nacional de Leitura (PNL) 2027, a que o JN teve acesso.

O documento, que está a ser apresentado neste momento, no grande auditório do ISCTE, revela que, à medida que os alunos mudam de ciclo de escolaridade, o desinteresse pela leitura vai aumentando.

O grau de concordância com a afirmação "Só leio se for obrigado" é de 11,4% entre as crianças do 1º ciclo, de 11,9% entre os alunos do 2º ciclo, e dispara para os 25% no caso dos jovens do 3º ciclo e para 25,1% entre os estudantes do secundário.

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O estudo destaca ainda o facto de 26,2% dos alunos dos 10º, 11º e 12º anos não terem lido qualquer livro no último ano, percentagem que também é significativa no 3º ciclo, já que 17,4% dos estudantes responderam da mesma forma.

À exceção das crianças do 1º ciclo, em que 34,5% disseram ter lido entre cinco e dez livros, no último ano, e 31,5% responderam 11 ou mais livros, nos 2º e 3º ciclos e no secundário a resposta com a percentagem mais elevada correspondeu à leitura de um a quatro livros.

A resposta à pergunta "estão a ler algum livro?" confirma que os índices de leitura são mais baixos entre os estudantes do secundário (25,4%) e do 3º ciclo (31,9%). Os alunos do 2º ciclo correspondem à percentagem mais elevada (58,3%), seguida das crianças do 1º ciclo (53,3%).

Adultos leem pouco

A relação das famílias dos alunos inquiridos com a leitura também deve ser alvo de reflexão, sobretudo no que diz respeito aos estudantes que frequentam o secundário, o 3º ciclo e o 2º ciclo, com a resposta "fraca" a predominar (57,7%, 55,5% e 47,2%, respetivamente). Apenas no caso das crianças do 1º ciclo, a resposta "média" é mais elevada: 43,5%.

"O enfraquecimento da relação das famílias com a leitura, ao longo dos ciclos de ensino, aumenta a complexidade do desafio colocado às escolas, exigindo o reforço de investimento na promoção de práticas de leitura de jovens e de adultos", concluem os autores do estudo.

O documento alerta, por isso, para a influência que os comportamentos dos pais têm sobre os filhos. "Os dados confirmam que a tendência de diminuição das práticas de livros dos adultos observada na OCDE, nos últimos anos, é extensível à população em idade escolar".

A escola assume, assim, um papel determinante. As atividades relacionadas com a leitura e com a escrita, desenvolvidas em sala de aula, permitem constatar que têm um impacto positivo no número de livros lidos. "Os dados mostram, assim, as vantagens do reforço da frequência destas atividades em contexto de sala de aula".

O estudo refere também a influência das mudanças tecnológicas na última década. Os dados mostram que o tempo que os alunos ocupam com os telemóveis, tablets e computadores é muito superior ao ocupado com a televisão e com a leitura por prazer, o que evidencia usos da leitura (e da escrita) mais desligados do suporte livro.

As conclusões resultam de um inquérito, que decorreu entre abril e junho deste ano, junto de 12 842 estudantes de 340 escolas públicas e privadas de todo o país, localizadas nas áreas urbanas.

Programa do encontro

A sessão de abertura do evento conta com a presença da reitora do ISCTE, Maria de Lurdes Rodrigues, da comissária do PNL 2021, Teresa Calçada, e da subdiretora do CIES, Elsa Pegado. Às 15 horas será apresentado o estudo "Práticas de Leitura dos Estudantes dos Ensinos Básico e Secundário" pelos investigadores do CIES João Trocado da Mata e José Soares Neves.

Uma hora mais tarde, a consultora científica Isabel Alçada e a subcomissária do PNL 2027, Elsa Conde, comentarão os resultados e, pelas 16.30 horas, o secretário de Estado Adjunto e da Educação, João Costa, encerrará o encontro, que pode ser acompanhado online através do ​​​​​​​Youtube do PNL.

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