Covid-19

Ventilador de emergência está pronto a produzir. Patente: a Humanidade

Ventilador de emergência está pronto a produzir. Patente: a Humanidade

O apelo lançado por João Nascimento em meados de março mobilizou mais de 1400 especialistas no objetivo de criar ventiladores possíveis de fabricar localmente e em massa, a baixo custo. Duas semanas depois, o projeto foi testado com sucesso e a patente já está registada, em nome da Humanidade.

"Mapa pronto! Ventilador de emergência de código aberto fácil de construir em todo o mundo com componentes simples fornecidos localmente. Custo estimado de produção 1000 $. Artigo partilhado amanhã em Arxiv.org. Proprietário da patente: humanidade. De Portugal com Amor".

Foi com esta mensagem na rede social Twitter que João Nascimento anunciou que foi criado um ventilador de emergência para cuidados intensivos com materiais e componentes industriais comuns, no âmbito do "ProjectOpenAir", um movimento lançado em meados de março e que reuniu mais de 1400 especialistas, entre engenheiros, físicos, académicos, não só portugueses como de vários países do mundo.

O projeto foi desenvolvido por voluntários e em código aberto ("open source"), ou seja, o conceito alcançado não está sujeito a direitos de autor. E por isso, a patente foi registada em nome da Humanidade, para que nenhuma entidade possa retirar proveitos económicos desta inovação.

João Nascimento, 40 anos, estudante de Neurociências na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, estima que o custo de produção ronda os mil dólares (menos de mil euros), quando o preço dos ventiladores para unidades de cuidados intensivos hospitalares é por norma superior a quatro mil dólares (3600 euros).

"A grande mais-valia deste ventilador é que pode ser construído rapidamente com recurso a componentes baratos e de fácil acesso, o que significa que pode ser produzido em massa e em qualquer parte do mundo, a um baixo preço e com grande rapidez", salientam os mentores do projeto em comunicado.

"Trata-se de um ventilador de emergência, que cumpre os requisitos mínimos necessários à ventilação de doentes Covid-19, por isso, numa altura em que o mundo corre contra o tempo para se dotar das soluções necessárias para fazer face à pandemia, esta solução pode ajudar-nos a salvar dezenas de milhares de vidas", sublinham, quando se assiste diariamente aos números galopantes de mortos e doentes internados em cuidados intensivos em Espanha e em Itália - com os profissionais de saúde a depararem-se com a decisão de decidir a quem atribuem equipamentos vitais dos quais dependem a vida dos doentes.

"O que construímos não é algo que possa ser utilizado nos hospitais em condições normais, mas algo que poderá valer quando tudo o resto falhar. É a última opção quando não houver mais alternativa para salvar a vida do doente", explicou à agência Lusa Paulo Fonte, um dos envolvidos no projeto e professor do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra.

"Oxalá em Portugal isto não seja preciso, mas suspeita-se fortemente que o mesmo não venha a suceder em outros lugares do mundo, como na Índia ou em África, locais com grande necessidade e poucos recursos disponíveis", adiantou o investigador. "O tempo corre contra nós e contamos com a indústria para o produzir em grande quantidade", concluiu.

Depois de uma prova de conceito bem-sucedida, os detalhes do desenvolvimento e do equipamento vão ser apresentados num artigo científico intitulado "Proof-of-concept of a minimalist pressure-controlled emergency ventilator for COVID-19" na plataforma arxiv.org.

Além do desenvolvimento deste ventilador de emergência, o "ProjectOpenAir" lançou a plataforma Vent2Life, que visa recuperar equipamentos médicos inoperacionais.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG