Depressão Kristin. A resposta que tardou, os vizinhos que disseram presente

A tempestade derrubou a totalidade do telhado do estábulo de Américo Cardoso, com uma área de 800 metros quadrados
Foto: Pedro Correia
Em Proença-a-Nova, a entreajuda comunitária foi fundamental para mitigar os danos causados pela tempestade e a sensação de abandono. O mesmo aconteceu em muitos outros concelhos devastados pela depressão Kristin. Se a ideia de que houve lentidão na resposta é quase consensual, é preciso olhar mais para trás, para a crónica falta de planeamento e prevenção.
Américo Cardoso, 71 anos, todos eles passados na aldeia do Pergulho (concelho de Proença-a-Nova), viveu quase sempre para a pecuária. Teria uns 11 anos quando deixou a escola e foi ajudar os pais. Depois, ainda se aventurou a abrir uma taberna. Mas não tardou a voltar à casa de partida. Aos 23 anos, assumiu o negócio da família, passou a apostar nos bovinos e nos ovinos, a criação aumentou. A dada altura, assumiu uma dimensão tal que Américo se viu obrigado a mandar construir um estábulo de 800 metros quadrados, para dar guarida às dezenas de animais que tinha ao seu cuidado. Era o ano de 2002, já na altura gastou 80 mil euros. Mais de 20 anos depois, eram já perto de 200 bovinos, mais 100 ovinos, tinha ali investido o trabalho de uma vida inteira. Por isso, quando na madrugada de 28 de janeiro a depressão Kristin entrou de rompante pela zona Centro adentro, e o vento começou a rugir impiedoso no Pergulho, logo ficou com o coração nas mãos.


