Autarca de Leiria: "Resposta seria mais rápida se atingisse casa de quem governa"

O presidente da Câma Municipal de Leiria, Gonçalo Lopes
Foto: Manuel de Almeida /Lusa
O presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, disse esta segunda-feira que se o impacto da depressão Kristin fosse na casa de quem governa o país a resposta teria sido mais rápida, ao referir-se ao restabelecimento da energia elétrica.
"Ficamos com a clara sensação de que todo este esforço importante - e não ponho em causa os trabalhos que estão a ser feitos por todos os trabalhadores envolvidos - demonstra uma outra situação, é que, de facto, o país pode ser solidário, o povo é solidário, mas continuam a existir muitas barreiras entre Lisboa e o resto do país, porque, se isto tivesse acontecido na casa de quem nos governa, a resposta teria sido mais rápida e se calhar teria sido outra", afirmou Gonçalo Lopes.
Numa conferência de imprensa nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde está instalado o centro de operações municipal, o autarca socialista considerou que o grau de empatia que se deve ter na política passa por colocar-se "no lugar de quem mais sofre e não deixar para trás aqueles que são os mais desfavorecidos, aqueles que vivem nas aldeias, as populações mais idosas"".
Assegurando ter "uma avaliação muito clara sobre as limitações e os meios empregues no terreno", Gonçalo Lopes considerou, contudo, que a resiliência de uma empresa como a E-Redes, a principal operadora da rede de distribuição de energia elétrica em Portugal continental das redes de alta, média e baixa tensão, "deveria ser maior e deviam ter sido acionados mecanismos de apoio mais cedo".
"Uma empresa que tem responsabilidade de levar energia à casa das pessoas e à qual pagamos todos os meses na nossa fatura, com uma tarifa que é regulada por uma entidade própria, obrigava a outra capacidade de resposta", declarou, lamentando que "a capacidade de resposta, a nível nacional, tenha sido insuficiente e não tenham sido acionados os meios internacionais necessários para que este restabelecimento seja mais rápido".
O presidente do município adiantou que havia 17.030 clientes sem eletricidade no concelho, "informação recolhida na plataforma" a que a autarquia tem acesso.
"Quando se fala de informação, não se fala só dos contadores que estão ativos", sustentou, sublinhando haver mais "informação que é importante, nomeadamente a do planeamento, dos trabalhos executados, das prioridades". Nesse sentido, destacou que "a dimensão de transparência não se resume a um Excel", assumindo ter "muitas dúvidas sobre essa informação".
Antes, o autarca lamentou a morte, esta segunda-feira, de um trabalhador da empresa Canas, ao serviço da E-Redes, em Leiria, apresentando as condolências à família e à empresa.
Sobre a vigília, às 20 horas, junto à Fonte Luminosa, o autarca explicou que pretende ser uma homenagem às vítimas mortais decorrentes do mau tempo, a todos aqueles, incluindo voluntários, que se têm esforçado na limpeza e reconstrução, e uma ação de solidariedade para quem está há 13 dias privado de eletricidade.
No sábado, a Câmara e as 20 juntas de freguesia de Leiria criticaram "a falta de informação objetiva, atualizada e acessível" da E-Redes.
Numa carta aberta dirigida ao presidente do conselho de administração da E-Redes e lida nesse dia pelo presidente do Município de Leiria, Gonçalo Lopes, os subscritores reconheceram "o esforço técnico das equipas no terreno", mas defenderam que, "num contexto de emergência, sendo a E-Redes um operador de serviço público essencial, a comunicação, a proximidade e o respeito pelas populações são responsabilidades tão relevantes quanto a intervenção técnica".
No dia seguinte, a E-Redes fez saber que iria remeter às Câmaras municipais o número de clientes sem energia na sequência do mau tempo, mas os órgãos de comunicação social estão excluídos desta informação.
