
Consultório de Sexualidade, por Mafalda Cruz, radioncologista e sexóloga.
Tenho 38 anos e não me sinto nada satisfeita com a minha vida sexual. O que posso fazer, na prática, para melhorar?
Joana T.
Se alguém me pedisse conselhos simples e realistas para melhorar a sua vida sexual em 2026, eu começaria por dizer isto: não é preciso saber todas as posições do Kama Sutra nem comprar o último modelo de um brinquedo sexual. É preciso olhar para o sexo de outra forma.
O primeiro conselho que dou é óbvio: comunicar. Comunicar não é apenas falar sobre fantasias ou preferências; é também explicar quando estamos cansados, quando atravessamos uma fase mais exigente no trabalho ou quando um problema familiar nos preocupa. Tudo isto tem influência no desejo e na disponibilidade para o relacionamento. Mas há um ponto essencial: a comunicação exige duas pessoas disponíveis para ouvir e ajustar expectativas. Caso contrário, transforma-se num monólogo frustrante.
O segundo conselho também se aplica a homens e mulheres: perceber que sexo sem penetração também é sexo, e pode ser profundamente satisfatório. Portanto, não deem tanto foco a esta parte e experimentem passar mais tempo a fazer outras coisas. Isto para dizer que tudo o que acontece além da penetração não são preliminares: é sexo.
Em terceiro lugar, é importante aceitar que a sexualidade está sempre em construção. Ninguém nasce ensinado. Gosto de usar a metáfora de um hobby: quando alguém começa a jogar ténis, pratica, conversa sobre o jogo, investe tempo e aprende com a experiência. Com o sexo é igual. Exige curiosidade, disponibilidade e treino. Por isso, antes de concluir que "não somos compatíveis", talvez valha a pena dedicar-se mais a este lado da relação.
Por fim, encare os problemas sexuais como uma questão de saúde, não de ego. Tal como uma dor de cabeça ocasional pode ser normal, também falhas pontuais fazem parte da vida sexual. Mas quando os sintomas persistem, deve colocar os constrangimentos de lado e procurar a ajuda de um profissional de saúde.
Talvez 2026 não seja o ano de uma sexualidade perfeita, mas pode muito bem ser o ano de uma vida sexual mais consciente, cuidada e vivida com menos pressão.
*A NM tem um espaço para questões dos leitores nas áreas de direito, jardinagem, saúde, finanças pessoais, sustentabilidade e sexualidade. As perguntas para o Consultório devem ser enviadas para o email magazine@noticiasmagazine.pt

