"A informação é contraditória". Autarca de Leiria diz que mais de 200 clientes continuam sem eletricidade

Gonçalo Lopes fala em 218 contadores não energizados
Foto: António Pedro Santos/Lusa
Mais de 200 clientes continuam sem eletricidade no concelho de Leiria, praticamente um mês depois de a depressão Kristin ter atingido gravemente o município, disse esta quarta-feira à agência Lusa o presidente da Câmara, Gonçalo Lopes.
"A informação que temos é contraditória, porque dentro do universo da EDP há quem diga que já está tudo reposto, informação que, vinda também do mesmo grupo, nos fala em 218 contadores não energizados", afirmou Gonçalo Lopes.
Hoje, o presidente executivo da EDP, grupo que integra a E-Redes, anunciou que já restabeleceu a energia a 100% dos clientes afetados pelas tempestades.
"Já recuperámos 100% dos clientes, restando apenas algumas situações específicas que serão resolvidas muito em breve, mas penso que o pior já passou", afirmou Miguel Stilwell d"Andrade, na conferência telefónica com analistas no âmbito da apresentação dos resultados de 2025.
Questionado sobre há quanto tempo não fala com o presidente da E-Redes, a principal operadora da rede de distribuição de energia elétrica em Portugal Continental das redes de alta, média e baixa tensão, Gonçalo Lopes respondeu "há mais de uma semana".
O autarca relatou que pediu uma reunião a José Ferrari Careto depois de ter percebido que Leiria "ia ser dos últimos concelhos" a ter restabelecida a energia elétrica.
"Propus-lhe um plano tático para que este processo fosse mais rápido, com uma gestão mais eficiente dos geradores, a sua mobilidade, o desenvolvimento de um plano que chamei de "Plano da Ação Norte do Concelho", uma vez que era o sítio mais afetado, a necessidade de existir uma linha de comunicação melhor para os casos daquilo que chamávamos de linhas injustas", explicou.
Segundo o autarca, as linhas injustas referem-se ao caso de ruas em que o posto de transformação "está energizado", mas ao fim da rua "há sempre três ou quatro casas que não têm" eletricidade.
Gonçalo Lopes adiantou que o presidente da E-Redes "acabou por sair da reunião" que continuou "com os outros dirigentes que lá estavam".
Confrontado com a existência, neste último mês, de um conflito com a E-Redes pela demora no restabelecimento de energia e se ponderava alguma ação judicial contra a empresa face aos prejuízos decorrentes deste problema, Gonçalo Lopes lembrou que a atividade daquela é regulada.
"Quando um serviço está concessionado com esta responsabilidade que, no fundo, acaba por ser a nossa soberania de país, a nossa condição de segurança que está na mão de uma empresa, a autoridade reguladora tem obrigações de controlar os preços, as tarifas, as manutenções, situações em que é necessário fazer compensações, indemnizações, verificar um conjunto de meios que são colocados ao dispor para que o serviço não fique comprometido", prosseguiu.
A autarquia pediu à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) para "acionar todos os meios para poder compreender o que aconteceu e poder defender os interesses dos clientes, sejam empresas, mas, sobretudo, as pessoas".
"Se a ERSE fizer o seu serviço, não é necessário litigar", afiançou.
Quanto às telecomunicações, Gonçalo Lopes frisou que "todo o território tem uma redução da capacidade de comunicação" e há "linhas fixas de muitas pessoas" que ainda não estão a funcionar.
"A informação que obtive ontem [quarta-feira] só de um dos operadores, estávamos a falar em seis mil pessoas ainda sem rede móvel", avançou o presidente do Município de Leiria.
