Região de Leiria aprova plano estratégico para recuperar e transformar território

Depressão Kristin atingiu gravemente o distrito de Leiria a 28 de janeiro
Foto: Paulo Cunha/Lusa
A Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria aprovou um Plano Estratégico de Recuperação e Transformação, que inclui um fundo de emergência social, na sequência da depressão Kristin que há quase um mês atingiu gravemente este território.
Integram esta Comunidade Intermunicipal (CIM) os municípios de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.
Num comunicado enviado hoje à agência Lusa, a CIM explica que o plano parte da certeza de que "a Região de Leiria não pode limitar-se a repor o que perdeu", sendo "necessário recuperar rapidamente, reforçar a resiliência estrutural, e aproveitar este momento para modernizar o território e fortalecer o seu ecossistema económico".
Citado no comunicado, o presidente da CIM, Jorge Vala, afirma que "o que está em causa não é apenas reconstruir o que foi danificado", mas "proteger o emprego, preservar a base industrial exportadora e preparar a região para os desafios climáticos e económicos das próximas décadas".
O plano organiza-se em três fases: resposta urgente, reconstrução com resiliência e transformação estrutural.
Na parte relativa à resposta urgente e estabilização, com um horizonte temporal de seis meses, "o foco está na proteção das famílias, na manutenção do emprego e na garantia de mobilidade".
Neste âmbito, o documento prevê a execução célere do apoio de 10 mil euros à habitação própria, reforço dos mecanismos sociais para agregados vulneráveis, criação de um Fundo Intermunicipal de Emergência Social, constituição de um Gabinete Regional de Recuperação Empresarial e o lançamento do programa "Empresa Aberta, com apoio até 30 mil euros para empresas que encerraram temporariamente.
A CIM reitera a necessidade de prorrogação da isenção de portagens nas autoestradas 8 e 19, que servem a região, "enquanto as vias alternativas permanecerem condicionadas."
Já no que se refere à segunda fase, reconstrução com resiliência, entre os seis meses e os dois anos, "o plano aposta em reforço estrutural de infraestruturas, modernização de sistemas de drenagem, defesa costeira, apoio à agricultura e floresta e no lançamento do programa "Indústria Resiliente Região de Leiria", focado na digitalização, inovação e redundância energética".
Na terceira fase (transformação estrutural), "o objetivo é consolidar uma região mais preparada e competitiva, com a Estratégia Regional de Adaptação Climática, comunidades de energia renovável, reforço das comunicações e da redundância energética, e consolidação do projeto Universidade de Leiria e Oeste".
A CIM propõe ainda a criação de um grupo focal permanente com o envolvimento de especialistas em gestão e ordenamento do território, representantes do sistema científico e tecnológico, associações empresariais e empresas estratégicas da região, municípios e entidades intermunicipais.
"Este grupo terá como missão apoiar tecnicamente a Estrutura de Missão [Reconstrução da Região Centro do País] na avaliação contínua e ajustamento das medidas previstas pelo Governo, garantindo que a recuperação e transformação do ecossistema regional são feitas com base em conhecimento local, evidência científica e experiência empresarial", adianta o comunicado.
Para Jorge Vala, também presidente da Câmara de Porto de Mós, é necessário "garantir que as medidas nacionais são ajustadas à realidade concreta do território", considerando que "a recuperação não pode ser desenhada à distância".
Sobre o Programa Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), o autarca salienta que "deve ser desenhado a partir de Leiria e do seu território, e não apenas para Leiria".
"As soluções são mais eficazes quando partem do conhecimento do terreno, das empresas e das instituições locais", sustenta Jorge Vala.
Segundo a CIM, "uma abordagem construída com o território permitirá maior eficácia na aplicação dos recursos, melhor articulação entre investimento público e necessidades empresariais, integração real da adaptação climática no ordenamento, e maior legitimidade e transparência do processo", manifestando total disponibilidade para trabalhar em estreita articulação com Governo, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro e instituições europeias.
