António Carmo sabe riscar um barco, arte circunscrita a cinco pessoas no Mundo

António Carmo sabe riscar um barco em madeira
Foto: Artur Machado
Lembra-se da infância na Rua do Lidador, em Vila do Conde, das brincadeiras nos estaleiros a fazer de tábuas de madeira baloiços, dos homens no árduo trabalho da construção naval, das festas do bota-abaixo a cada novo barco lançado à água. António José Carmo morou sempre ali. Fez quase 200 projetos de barcos e é um dos cinco, em todo o Mundo, capazes de desenhar barcos de joelhos, na velhinha - e extinta - sala do risco. É guardião de um saber-fazer transmitido de geração em geração.
O estaleiro do avô, Samuel & Filhos, tem 90 anos de história. Chegou a ter 125 empregados e a fazer 12 barcos por ano. António José tinha jeito para o desenho e a geometria dos barcos sempre o fascinou. Em 1981, juntou-se ao pai e ao tio na sala do risco. Ali, entrava uma ideia e, duas semanas depois, saía um plano geométrico do barco à escala real. Pelo meio ficavam contas, ângulos, cálculos de peso e centro de estabilidade, desenhados de gatas no chão, por homens muitas vezes quase analfabetos. Depois, fazer o barco era como montar um puzzle com instruções. A precisão era "incrível". Poupavam-se dias de trabalho. A dimensão era ao gosto do freguês.
