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Quatro casas situadas na faixa costeira do concelho de Esposende estão atualmente "em risco sério ou iminente", devido ao avanço do mar e à erosão provocada pela forte agitação marítima dos últimos dias. Uma das habitações localiza-se na praia da Bonança, em Fão, e as outras três na zona das Pedrinhas, em Apúlia.
Na praia da Bonança está em causa uma moradia de primeira habitação, ocupada por um casal. O proprietário, João Carvalho, relatou novos danos provocados por derrocadas recentes e diz sentir falta de resposta por parte das entidades competentes.
"Estou a ser completamente ignorado ninguém me diz nada. Esta noite houve outra derrocada rebentou uns canos de água e já tive de fazer umas emendas de manhã. Estou a dormir no hotel porque tenho medo de passar a noite em casa", referiu o morador, acrescentando: "Já enviei emails e liguei com a Agência Portuguesa do Ambiente e ninguém quer saber. Estou a ser completamente ignorado, estão à espera que aconteça uma desgraça."
Segundo João Carvalho, a casa foi construída há mais de meio século, quando a linha de mar se encontrava a cerca de 300 metros de distância. Com o recuo da costa ao longo das décadas, a proximidade da água tornou-se cada vez mais crítica. Há cerca de oito anos foi colocado um enrocamento de proteção, composto por grandes blocos de pedra, mas a estrutura deixou de ser eficaz face à intensidade da rebentação.
"Só que agora a proteção já não funciona. O mar passa por cima das rochas e está a comer as dunas e daqui a nada está a entrar-me pela casa adentro", referiu o proprietário da habitação ameaçada.
Três casas nas Pedrinhas em risco de colapso
Na zona das Pedrinhas, em Apúlia, estão identificadas três habitações de segunda residência em situação considerada crítica. De acordo com o coordenador municipal da Proteção Civil de Esposende, Júlio Melo, as construções "correm risco iminente de colapso. O muro delimitador de uma delas já ruiu".
Também na frente costeira da praia Suave Mar existe um bar que, para já, não está classificado como estando em perigo imediato, mas que poderá evoluir para um cenário de risco se o mar mantiver o nível de agressividade verificado nos últimos dias. No local, parte dos passadiços já cedeu.
A gestão e intervenção nestas situações na orla costeira estão sob jurisdição da Agência Portuguesa do Ambiente.

