
Castros Iluminações Festivas
André Gouveia / Global Imagens
Das ornamentações em madeira e da luz das velas, passou-se à conquista dos mercados internacionais com a introdução das novas tecnologias.
Era uma vez um negócio de pirotecnia, deu-se um acidente e um dos irmãos morreu. Tinha tudo para correr mal e acabar por ali. Correu, de facto, pois houve uma morte, mas o "mano" António de Araújo e Castro arranjou forças para reerguer o negócio. Pôs de lado os foguetes, manteve a ligação às festas locais, mas dedicou-se em exclusivo às ornamentações. Estava dado o pontapé de saída para a empresa Castros, hoje Castros - Iluminações Festivas. Foi há 100 anos. A 2 de maio.
13725873
Das aldeias para a cobertura de todo o território nacional, a somar à presença em mercados internacionais, como Europa, África e Médio Oriente, foi-se fazendo um percurso de sucesso. Ao leme, hoje, está Jorge Castro. Licenciou-se em Direito, mas na hora de optar, a escolha recaiu em dar continuidade à firma dos antepassados e à qual teve ligação, ainda que de forma indireta, "desde os 13 anos", quando, nas férias, "dormia nos divãs" que a família levava para as romarias e onde fazia negócios.
Nos primórdios tudo era artesanal. O material chegou a ser carregado em carros de bois. As ornamentações eram feitas à base de madeiras e tecidos. Nada mais. "Quando não havia luz elétrica, usavam-se as velas", regista Jorge Castro, o quarto da linha geracional.
Pioneiros em Portugal
Ao bisavô sucedeu-lhe a avó Maria Aurora de Castro: "Uma mulher de armas. Nos anos 50, não era fácil uma mulher impor-se. Ela conseguiu-o". Outra fase determinante foram os anos 70. Estava agora o pai, António Castro, a liderar. "Meteu-se no avião e deu uma volta pela Europa. Regressou cheio de ideias", lembra. "Acabou a sazonalidade [só festividades de verão]" e a Castros passou a ter atividade o ano inteiro, passando a fazer iluminações no Natal, por exemplo.
A entrada na então CEE (designação que precedeu a União Europeia), seguida da aquisição de "mangueiras de luz" a Taiwan, engordou os negócios. Também a introdução da "tecnologia de microlâmpadas" e da "tecnologia LED", que baixou a fatura da luz, foram cruciais. Jorge Castro acentua que foram sempre pioneiros em Portugal. Com mais de 100 trabalhadores e sede em S. Félix da Marinha desde 1999, diz que a Castros tem "uma costela em Gaia e outra em Espinho". A equipa de inovação trabalha em Espinho, onde tudo começou.

