
Manutenção da loja em Gaia não estará comprometida
Pedro Correia/Global Imagens
Começou o processo de licenciamento do projeto do El Corte Inglés para a Rotunda da Boavista, no Porto. O pedido, que deu entrada na Câmara do Porto a 28 de setembro, está em "fase de apreciação liminar" pelo Município. De acordo com a Infraestruturas de Portugal (IP), dona do terreno, a reavaliação do preço a pagar pela cadeia espanhola pelos terrenos da antiga estação ferroviária não está concluída.
'O JN tentou obter mais esclarecimentos junto do El Corte Inglés, que não respondeu em tempo útil.
O projeto não terá sofrido alterações substanciais e inclui, além do centro comercial, um hotel e um edifício para habitação, comércio e serviços. Mas a cadeia espanhola teve de adaptar o plano de forma a não comprometer a nova estação de metro Casa da Música/Boavista da Linha Rosa.
O investimento no "grande armazém", que custará "centenas de milhões de euros", servirá de complemento à oferta da loja de Gaia, que irá manter-se aberta, garantiu no ano passado ao JN o diretor-geral do grupo, Enrique Hidalgo.
O pedido de licenciamento, que "decorre do Pedido de Informação Prévia (PIP)" aprovado pela Câmara do Porto, é referente a "uma operação de loteamento para a constituição de três lotes com obras de urbanização, para o prédio sito à Praça de Mouzinho de Albuquerque, Avenida de França e Rua de 5 de Outubro", clarifica o Município.
Contrato em revisão
De acordo com a IP, decorre a revisão dos termos do contrato celebrado em 2000 com o El Corte Inglés para constituição do direito dos terrenos da antiga estação ferroviária da Boavista. A cadeia espanhola já terá pago quase os 20 milhões de euros acordados, mas o preço pode subir. António Laranjo, presidente da IP explicou que o PIP apresentado à Câmara do Porto em 2019 não é o mesmo em que se baseou a celebração do contrato inicial, alterando "substancialmente" as suas prorrogativas.
"Será com base nessa avaliação atual do terreno, também por parte da Direção Geral do Tesouro e Finanças, que iremos decidir sobre o futuro deste contrato", esclareceu, em março.
O contrato só se concretizará após entendimento entre a IP, a Direção-Geral do Tesouro e Finanças e se "o privado aceitar", acrescentou. Nada disso terá impedido o grupo espanhol de avançar.
Dias depois das declarações de António Laranjo, o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, garantiu que o Governo não iria rescindir o contrato com a cadeia espanhola. Tal decisão "teria um custo desproporcional para o Estado e para IP".
