Custo do tratamento de resíduos "aumentou 3000%" no último mandato em Viana

Luís Nobre, presidente da Câmara de Viana do Castelo
Foto: Rui Manuel Fonseca
O custo da recolha e tratamento de resíduos sólidos urbanos em Viana do Castelo "aumentou 3000%" durante o último mandato e a previsão é que continue a subir até 2029. Segundo o presidente da Câmara, Luís Nobre (PS), o município irá, em 2026, "pagar 64 euros" pela deposição de cada tonelada de lixo e a expectativa é que, dentro de dois anos, esse valor possa aumentar para "92 ou 94 euros".
"A tendência é ultrapassar os 90 euros por tonelada de depósito de resíduos nos próximos dois anos. Isto é insustentável", afirmou o autarca, esta terça-feira, em declarações aos jornalistas no final da reunião quinzenal do executivo municipal, onde foi aprovado o Plano de Atividades e Orçamento dos Serviços Municipalizados de Viana do Castelo (SMVC) para 2026, com um orçamento de 16 milhões de euros.
Os serviços em causa têm a sua carga a recolha e transporte "de mais de 34 mil toneladas de resíduos urbanos, a limpeza pública de 4,39 km² da área urbana, a limpeza manual e mecânica de cerca de 24 km de linha de costa e a manutenção de aproximadamente 19 quilómetros de passadiços, ecovias e ciclovias".
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Não é a primeira vez que Luís Nobre fala durante os plenários do executivo, na questão dos custos onerosos de recolha e tratamento de resíduos sólidos urbanos, que afetarão municípios em todo o país. "Tem de se encontrar políticas nacionais para suster este aumento dos custos associados ao depósito de resíduos nos sistemas, no caso do nosso, na Resulima", disse, considerando que essa "é uma dificuldade a nível nacional" de que "todos têm consciência, desde a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resúduos (ERSAR) ao Governo".
"Os custos associados anualmente têm sido galopantes e não há capacidade de os estarmos a refletir apenas em quem utiliza o serviço. E os municípios não podem estar por si também a suportar e a utilizar recursos que necessitam para outras necessidades", afirmou. "Tem de haver aqui decisões, uma estratégia nacional, e um novo modelo de gestão e de operacionalização do tratamento dos resíduos depositados."
Segundo Luís Nobre, existem sistemas de tratamento diferentes no território nacional, mas a evolução de custos da deposição de lixo em aterro por tonelada, nomeadamente da energia utilizada, é transversal e "sempre crescente", sendo que, em Viana do Castelo, município servido pelo aterro da Resulima, "subiu num mandato [2021-2025] mais 3000%".
"É insuportável. Têm de se encontrar outras soluções, seja pela via do financiamento ou pelas soluções técnicas do tratamento, mais económicas", sublinhou, indicando como uma das futuras soluções possíveis "a incineração dos resíduos".

