
Pedro Passos Coelho, presidente do PSD, durante a intervenção no encerramento das Jornadas Parlamentares do Partido Social Democrata (PSD), em Coimbra, 13 de setembro de 2016. PAULO NOVAIS/LUSA
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Os deputados do PSD eleitos pelo círculo de Viseu estão preocupados com as dificuldades registadas no arranque do ano letivo no concelho de Cinfães.
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"Atrasos no financiamento do ensino profissional, escolas públicas sem dinheiro para água, luz e aquecimento, parque escolar degradado, fracasso da carta educativa municipal: este é o arranque do novo ano letivo [no concelho de Cinfães], sustentam.
Os deputados do PSD visitaram na segunda-feira alguns estabelecimentos de ensino do concelho de Cinfães, onde "foi possível constatar algumas preocupações e dificuldades, nomeadamente os atrasos no pagamento do financiamento da formação profissional que, por sua vez, faz com que haja professores/formadores com ordenados em atraso e alunos sem receber as bolsas de formação desde janeiro".
"Este constrangimento tem obrigado a Escola Profissional a recorrer a empréstimos bancários para poder cumprir algumas obrigações, como o pagamento dos vencimentos dos funcionários e o pagamento de impostos",alegam.
Para os sociais-democratas, esta é "uma situação muito grave e comum a todas as escolas profissionais do distrito de Viseu", que pretendem esclarecer junto do Governo a quem irão pedir esclarecimentos sobre as razões destes atrasos.
"Ainda na área financeira, fomos alertados para a rutura financeira das escolas públicas que admitem não ter disponibilidade orçamental (dinheiro) para cumprir com as despesas de funcionamento (eletricidade, água e aquecimento), nos últimos meses do ano. De salientar, ainda, a falta de assistentes operacionais nas escolas, agravada pela introdução das 35 horas semanais de trabalho, cuja contratação já não ocorre desde 2007, nem existe qualquer indicação do Governo para que tal venha a acontecer", acrescentam.
Durante a visita à Escola Secundária Professor Doutor Flávio Pinto Resende, os deputados do PSD constataram também "a necessidade emergente de obras de requalificação no pavilhão de aulas, bem como o melhoramento do equipamento informático obsoleto".
"Este é um investimento que o Governo não foi capaz de contemplar nas obras realizadas pela Parque Escolar, nem se encontra no mapa de prioridades de investimento", referem.
Sobre esta escola, os sociais-democratas realçam ainda o estado de degradação do Pavilhão Gimnodesportivo Municipal Armando Soares, bem como a falta de recursos humanos da Câmara de Cinfães para vigilância e limpeza do espaço.
"Embora estejam previstas obras de requalificação neste equipamento desportivo da autarquia, a verdade é que é inconcebível o estado de degradação a que chegou o edifício que alberga semanalmente centenas de jovens na prática desportiva. Incompreensível é ainda o facto de a escola pagar, há mais de 20 anos, um aluguer à Câmara Municipal de 1.000 euros mensais para que aí decorram as aulas de educação física", evidenciam.
Sobre a Escola Profissional de Cinfães, propriedade da Câmara de Cinfães, apontam que "foi notória a falta de investimento ao longo dos anos".
"O espaço exíguo para os alunos, pessoal docente e funcionários, bem como a falta de estruturas de apoio, são motivos mais que suficientes para perceber a dificuldade de captação de jovens, pese embora o excelente trabalho pedagógico que aí é realizado", descrevem.
Já no agrupamento de Escolas de Cinfães General Serpa Pinto, dizem ter sido "possível verificar o fracasso da carta educativa do concelho".
"Existem complexos escolares incapazes de responder às necessidades do concelho, como é o caso do Complexo da Vila de Cinfães, que obriga a que algumas crianças sejam desviadas para escolas periféricas sem as condições de segurança e qualidade. Por outro lado, temos complexos escolares cuja lotação está muito aquém da esperada", informam.
No entender dos deputados do PSD, "percebe-se que, para este executivo municipal, a educação não é uma prioridade".
"Nesta área, há muito para fazer em Cinfães e que, para além das medidas mediáticas que vão aparecendo nos órgãos de comunicação da autarquia, há muitas necessidades estruturais que urge colmatar", concluíram.
