Desalojados nas derrocadas de Ponte da Barca sem previsão de regresso a casa

Há cinco vias fechadas, por razões de segurança
Foto: Direitos Reservados
A situação em Ponte da Barca após os deslizamentos de terra que obrigaram, ontem, à retirada de 23 pessoas das suas casas, continua crítica. Há cinco vias fechadas, por razões de segurança, e os meios de Proteção Civil permanecem no terreno, mas centrados em trabalhos de limpeza, abertura de acessos alternativos e contenção de massas de água e detritos.
Segundo o Comandante dos Bombeiros Voluntários de Ponte da Barca, Carlos Veloso, existe a "ameaça real" de haver novas derrocadas nas aldeias de S. Martinho de Crasto e Nogueira, pelo que não há previsão para que os desalojados possam regressar a casa.
"Por baixo da derrocada temos uma zona com estufas e vinhas e a água está a acumular-se toda lá. Vamos ter que corrigir o curso da água", afirmou o comandante Carlos Veloso, adiantando que na freguesia vizinha, de Nogueira, ocorreu uma nova "pequena derrocada" que afetou uma via que serve outro núcleo habitacional.
"Vamos interditar essa estrada. São cerca de 500 metros, mas há cinco habitações e a solução é criar um caminho provisório num campo de futebol, que existe em cima, para passagem dos moradores. Há risco de caírem mais terras e, assim, evitamos que as pessoas tenham de sair das habitações", explicou.
Além deste acesso, encontram-se ainda cortadas, no concelho de Ponte da Barca, por deslizamentos de terras, a Estrada Municipal 532, uma rua em S. Martinho de Crasto e a rua de Santa Catarina. Nos trabalhos nestas vias estão envolvidos retroescavadoras, máquinas de arrasto e camiões para transporte de detritos.
Quanto aos moradores desalojados, 20 em Crasto e três em Nogueira, o comandante Carlos Veloso realça não haver condições para regressarem a casa "porque há perigo de novas derrocadas". "Em Crasto, lá em cima [da zona da derrocada], tanto para sul, como para norte, pode haver novos deslizamentos de terras e não queremos correr riscos", referiu.

