Desfile de rendas de bilros em Vila do Conde alerta para problemas ambientais

Crianças visitaram Reserva Ornitológica de Mindelo
Amin Chaar/Global Imagens
As crianças da Escola de Bilros de Vila do Conde foram à Reserva Ornitológica de Mindelo para verem como a biodiversidade é rica e ganhar inspiração.
Fizeram borboletas, dezenas de borboletas. Amarelas, azuis, cor-de-rosa, vermelhas. São em renda de bilros e vão ser aplicadas na roupa pela designer Eugénia Cunha. As saias são estampadas com flores. Os modelos das 40 crianças da Escola de Rendas de Vila do Conde serão um dos quadros do desfile "Bilros 2019", que, este ano, deixa um alerta. O planeta precisa de ajuda e, nesta segunda-feira, para ver "in loco" como a biodiversidade é rica, as pequenas rendilheiras foram à Reserva Ornitológica de Mindelo.
A arte é ancestral, mas já há muito que deixou de ser só os paninhos de tabuleiros e as dobras de lençol. O desfile anual é o espelho disso. Nasceu para promover as rendas de bilros, mostrar que "podem ter novos usos, ser modernas e estar na moda".
Margarida Mendonça fez duas borboletas. "Uma azul, outra cor-de-rosa", explica, do alto dos seus cinco anos. É a mais nova na Escola de Rendas, onde a avó andou "quando era pequenina". Agora, vai, pela primeira vez, desfilar. Na Reserva, viu "borboletas de muitas cores, abelhas e muitas flores", conta, enquanto escolhe um pampilho para pôr no cabelo. Carlota Silva tem 11 anos. É das mais velhas. Já desfilou três vezes. "É giro", diz, ela que, em 15 dias, fez duas borboletas, "uma amarela, outra coral e azul".
Em 2018, Eugénia escolheu como tema os restos de redes de pesca que poluem o mar. Este ano, há novo alerta: "Daqui a 100 anos, a este ritmo, não haverá um inseto na terra. E quem melhor do que as crianças para passar a mensagem?", explica a designer.
Para além das crianças, vão desfilar, sob o mesmo tema, manequins profissionais. Depois, há ainda um concurso para rendilheiras da terra. É dia 8 de junho, às 21:30, na Praça Vasco da Gama.
