Desmontaram muro "praticamente à mão" para retirar motorista de autocarro com vida em Rio Tinto

Vários meios estiveram envolvidos no socorro
Foto: Direitos reservados
Motorista de autocarro saiu por causa de ruído que ouvia no veículo e foi atropelado em Rio Tinto, na manhã deste domingo, ficando preso entre pesado e muro. Idosa também foi colhida. As vítimas ficaram em estado grave e foram transportadas para o hospital.
Foi quando o motorista desceu do autocarro, para tentar identificar a origem de um ruído estranho no veículo, que tudo aconteceu: em plano inclinado, e por razões ainda por apurar, o pesado avançou sobre o passeio da Rua Afonso de Albuquerque, em Rio Tinto, colhendo o condutor e uma idosa que ali passava, deixando-os feridos com gravidade.
O homem, que seguia ao volante do autocarro da linha 8025 da rede Unir, que na manhã deste domingo partira da estação de Ermesinde, em Valongo, em direção ao Estádio do Dragão, no Porto, foi empurrado pelo pesado da operadora Alsa contra o muro de uma casa, ficando preso entre este e a viatura, com ferimentos muito graves.
Para libertar a vítima e evitar que fosse ainda mais comprimida pelo autocarro, que poderia descair se fosse removido de marcha-atrás, os bombeiros tiveram de destruir o muro, que tinha cerca de metro e meio de altura. Muito delicada, a operação demorou cerca de 45 minutos, como indicou, ao JN, o comandante dos Bombeiros da Areosa/Rio Tinto, Marco Martins, que coordenou as operações de socorro.
Desmontaram muro
"Tivemos de desmontar o muro praticamente à mão, para podermos retirá-lo. Foi um trabalho muito complicado, mas conseguimos tirá-lo de lá com vida", congratulou-se o responsável, salvaguardando, contudo, que o motorista estava ferido com bastante gravidade. Durante os trabalhos dos bombeiros, manteve-se sempre consciente, tendo sido transportado para o Hospital de Santo António, no Porto, com o acompanhamento da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do INEM.
A outra vítima do atropelamento, uma mulher de 80 anos e que reside perto da Rua Afonso de Albuquerque, também foi acompanhada pelo médico de outra VMER até ao Hospital de S. João. Segundo o JN apurou, os dois feridos estavam, ao final da tarde de ontem, livres de perigo.
Dada a gravidade do acidente, foi necessário acionar vários meios para o local, junto ao restaurante Madureira"s, perto da Estrada da Circunvalação. No total, foram mobilizados 37 operacionais apoiados por 16 viaturas, sendo que, além dos Bombeiros da Areosa/Rio Tinto, foram ainda enviados meios da corporação de Gondomar, do INEM - incluindo duas viaturas médicas e a unidade de apoio psicológico - e da PSP.
Aberto inquérito
Questionada pelo JN, a Transportes Metropolitanos do Porto (TMP), que gere a rede Unir, adiantou que a Nex Continental/Alsa, empresa que opera o serviço do lote 2, "já abriu um inquérito interno" ao atropelamento.
"Estamos em contacto com o operador desde o início, e fomos informados que já abriram um inquérito para perceber o que se passou e o que motivou este acidente, que lamentamos imenso", disse fonte oficial da TMP, garantindo que continuará a "acompanhar a situação".
Também a Alsa assegurou estar a "acompanhar, desde o primeiro segundo, o sucedido". A empresa de transportes confirmou que "foi aberto, de imediato, um inquérito interno, não sendo possível, nesta altura, avançar com mais informações".
Via perigosa
"Muitos acidentes"
Os moradores que ontem se concentraram na Rua Afonso de Albuquerque, na sequência do acidente, aproveitaram para lembrar que aquela é uma via "perigosa", onde "há excesso de velocidade" e "acontecem muitos acidentes". Principalmente, atropelamentos. Pedem, por isso, medidas de acalmia do tráfego.
Acidente fatal
Na manhã da véspera do Natal de 2022, um idoso morreu atropelado por um carro numa passadeira da Afonso de Albuquerque. Os moradores não esquecem o acidente fatal, e confessam ter medo sempre que atravessam a rua.
