Filhos do guarda-freio que morreu no Elevador da Glória ainda não receberam bolsa escolar

O Elevador da Glória descarrilou no dia 3 de setembro
Foto: Patrícia de Melo Moreira / AFP
A bolsa escolar destinada aos filhos do guarda-freio André Marques, que morreu no acidente do elevador da Glória, em Lisboa, no passado mês de setembro, ainda não foi paga, reconheceu a Câmara Municipal de Lisboa, questionada pelo PS.
Fonte do PS na Câmara Municipal de Lisboa (CML) disse à agência Lusa que o executivo liderado por Carlos Moedas reconheceu, na reunião camarária privada que decorre esta quarta-feira, que, seis meses depois do acidente ocorrido no Elevador da Glória, ainda não foi paga a bolsa escolar destinada aos filhos do guarda-freio André Marques, nem lhes foi assegurado o apoio psicológico devido.
A questão foi levantada pela vereadora do PS Alexandra Leitão, durante o debate sobre o ponto de situação das medidas de apoio às vítimas e respetivas famílias. Na ocasião, os vereadores do PS apresentaram um voto de homenagem às vítimas do acidente, assinalando os seis meses decorridos.
O elevador da Glória, muito procurado por turistas no centro de Lisboa, descarrilou no dia 3 de setembro, com uma das duas cabinas a embater violentamente contra um edifício, provocando 16 mortes e mais de 20 feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.
De acordo com a mesma fonte, a vereadora socialista insistiu na necessidade de respostas concretas relativamente ao acompanhamento das vítimas e das suas famílias, bem como no cumprimento dos apoios anunciados após o acidente.
Processos em curso nas seguradoras
Alexandra Leitão questionou ainda o executivo sobre o estado do processo, incluindo o pagamento de indemnizações, os apoios sociais previstos e a divulgação de informação clara sobre as condições em que poderá ocorrer a reabertura do elevador, defendendo que o município deve garantir transparência e esclarecimento público.
Segundo o Partido Socialista, confrontado com as notícias que apontam para atrasos no pagamento de compensações às vítimas do acidente, a câmara remeteu a questão para a seguradora responsável.
Meio ano depois do descarrilamento, os processos de apoio às vítimas e seus familiares continuam em desenvolvimento por parte da seguradora da Carris, a Fidelidade, que indicou que já foram celebrados acordos indemnizatórios.
"Os processos encontram-se atualmente em diferentes fases de regularização, em função da natureza e da evolução clínica de cada situação: em alguns casos, foram já celebrados acordos indemnizatórios; noutros, aguarda-se a receção de documentação legalmente necessária para formulação de proposta indemnizatória", indicou fonte oficial da Fidelidade, em resposta à agência Lusa.
A seguradora adiantou que, "em diversas situações relativas a vítimas com lesões corporais", o processo se encontra "ainda em fase de consolidação médico-legal", sendo necessário aguardar a estabilização clínica para avaliação definitiva de eventuais incapacidades e subsequente cálculo indemnizatório.
Sem adiantar dados concretos sobre os apoios já atribuídos às vítimas, a seguradora referiu que, até ao momento, têm sido assegurados e liquidados os encargos devidamente comprovados e enquadráveis nas coberturas aplicáveis, designadamente despesas médicas, hospitalares, farmacêuticas, deslocações, repatriamentos, serviços fúnebres e outras despesas resultantes do acidente.
Lembrando que o capital seguro contratado com a Carris é de 50 milhões de euros, a seguradora disse que "a regularização integral do sinistro será conduzida nos termos legais, com rigor técnico e humano, independentemente do tempo necessário à conclusão de cada processo".
Em resposta à Lusa, a empresa municipal Carris, que tem como acionista único a Câmara Municipal de Lisboa, disse que tem estabelecido contactos com as vítimas e/ou respetivas famílias, além do trabalho que está a ser desenvolvido pela seguradora Fidelidade.
