
Árvores caídas com o tempo e lixo acumulado ainda não foram retirados
Artur Machado / Global Imagens
Lixo arrastado pelas chuvas em janeiro não foi recolhido. Está prevista ação de limpeza de margens e ribeiras. Câmara da Maia culpa falta de civismo.
Por entre os ramos das árvores nas margens do rio Leça, em particular em Matosinhos e na Maia, acumulam-se teias de resíduos e plástico há pelo menos um mês. A acumulação de lixo contrasta com o recente corredor verde construído pelos municípios de Matosinhos, Maia, Valongo e Santo Tirso e é criticada pelos utilizadores. Dizem que o fenómeno foi provocado pelo mau tempo e pedem maior cuidado com o rio. A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) confirma a análise: "na sequência das cheias", verificou-se "a deposição de resíduos sólidos e urbanos nas margens e leito de toda a extensão do rio Leça".
A Câmara de Matosinhos diz que haverá uma ação de limpeza, em conjunto com a Associação de Municípios, a 24 de fevereiro. A da Maia, que preside à Associação de Municípios do Corredor do Leça desde janeiro, afirma tratar-se de "embalagens e resíduos sólidos urbanos" arrastados pela água das chuvas ou recolhidos em episódio de cheia quando depositados nas margens. O Município culpa a "grande falta de cuidado no momento de colocar os resíduos no sítio certo", já que a zona está bem servida de meios de recolha, bem como de ecopontos e contentores.
"Está uma miséria", observa Albina Paiva, de 79 anos. O cenário junto à ponte de Moreira, na Maia, é o mesmo desde novembro ou dezembro, estima Albina, garantindo que "não há ninguém" a limpar. A maiata acredita, por outro lado, que as margens serão alvo de intervenção. "Então, estiveram a fazer isto tudo bem... têm de vir tratar disto. Lá para cima está uma miséria. Ainda estão no meio do rio as árvores que caíram com o mau tempo", acrescenta. Até porque, nota o marido, António Leite, de 80 anos, a afluência justifica uma intervenção: "Ao domingo não se pode andar por aqui. É só carros estacionados".
"Está uma vergonha"
Mais à frente, junto ao Mosteiro de Leça do Balio, em Matosinhos, Belmiro Silva aproveitava a manhã de sol para passear com a mulher e a neta. Também por ali os ramos estão decorados com pedaços de plástico e até de tecido. "[O rio] está mal cuidado. Construíram aqui um passadiço tão bonito e o rio está uma vergonha", lamenta o matosinhense. Maria Abreu, de 77 anos, confirma o relato do casal: "Apercebi-me depois das cheias. Isto ficou tudo sujo. E para o outro lado ainda está pior".
Rápido atira outro cidadão, que não quis identificar-se: "E quando [a água] não muda de cor quatro ou cinco vezes por dia já é uma sorte". De acordo com a APA, "com exceção do estuário do rio Leça, as massas de água da bacia do Leça estão classificadas com o estado inferior a bom". Em causa estão "várias pressões antropogénicas".
Extensão
71 quilómetros é a extensão das margens do Leça. Está prevista uma ação de limpeza, que inclui manutenção das linhas de água e recolha de resíduos urbanos.
Restauro total dos ecossistemas é "muito difícil"
Perante o "conjunto de atividades antropogénicas" que ocupam o território junto ao rio Leça, torna-se "muito difícil" o restauro total dos ecossistemas, diz a APA. Essa operação "depende da dinâmica socioeconómica e das especificidades do território, em particular da ocupação e uso do solo". Ao "longo da bacia drenante", acrescenta aquela entidade, existem "várias pressões antropogénicas relacionadas com poluição orgânica e química". É nesse sentido, salienta a APA, que o projeto do corredor verde do rio Leça é importante, já que "visa assegurar uma gestão sustentável da água e proteção dos recursos hídricos e do território".
