Metrobus do Porto começa a funcionar no final de fevereiro e é grátis até final de março

Metrobus em testes na Avenida da Boavista, junto à Casa da Música
Foto: Fernando Veludo / Lusa
A operação do metrobus entre a Casa da Música e a Praça do Império, no Porto, arranca no final de fevereiro de 2026. Até ao fim de março, as viagens serão de borla, com o serviço a funcionar de modo experimental. No topo da Avenida da Boavista, os veículos vão dar a volta à rotunda, para inverter o sentido de marcha.
A forma como os veículos de metrobus dariam a volta após concluir a viagem no topo da Avenida da Boavista foi uma das polémicas a envolver o projeto. A solução apresentada inicialmente - os autocarros a darem a volta em contramão no topo da avenida - foi bastante criticada. A alternativa agora definida passa pelos veículos circundarem a rotunda, juntamente com o trânsito normal. Enquanto esse veículo dá a volta, um outro estará já preparado para iniciar o percurso descendente da Avenida da Boavista, rumo à Praça do Império, através da Avenida Marechal Gomes da Costa.
"É uma solução bastante simples", disse o presidente da Metro do Porto, Emídio Gomes, adiantando que a obra da segunda fase, respeitante ao troço entre a Marechal Gomes da Costa e o Castelo do Queijo, estará pronta "até 31 de agosto de 2026, dentro do prazo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)".
Em relação ao corredor central, compreendido entre o cruzamento das avenidas da Boavista e de Antunes Guimarães e o Castelo de Queijo, "será preservado" para bicicletas e modos suaves de transporte, assegurou o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte. Nesse troço, o metrobus vai circular em "via partilhada". Ou seja, junto com o restante trânsito, nas faixas rodoviárias. Existirão estações no percurso, mas ainda não divulgado o modelo final, tendo sido adiantado que há "equipas conjuntas a ultimar os detalhes".
A assinatura do memorando de entendimento juntou, esta quinta-feira, na Câmara do Porto, Pedro Duarte, Emídio Gomes e Cristina Pimentel, da STCP, a empresa que irá operar o sistema. "Este é um momento importante para a vida da cidade, que passa pela assinatura do memorando entre as três entidades - STCP, Metro e Câmara do Porto - e assinala a entrada em funcionamento do metrobus, que tem sido um meio de transporte polémico e controverso nesta cidade. A assinatura tem um cariz simbólico, depois de um longo calvário que durou demasiados meses. Hoje, a cidade vive um momento diferente, no qual há capacidade para dialogar e remarmos todos no mesmo sentido na busca das melhores soluções para a cidade", afirmou Pedro Duarte.
"Depois de demasiado tempo de inércia, de irresponsabilidade e desrespeito pelos portuenses, a situação é muito diferente. Hoje temos um caminho, uma luz, que nos vai guiar para resolver a situação. Estamos em condições de anunciar que na fase I (Casa da Música/Império), o metrobus estará a funcionar no final de fevereiro, num período experimental, no que respeita à fase II (Marechal/Castelo do Queijo), vamos conseguir o que foi o nosso propósito na campanha eleitoral e será respeitado o enquadramento paisagístico. O corredor central vai ser mantido e alargado. Agora o mundo mudou, a cidade está a mexer e o metrobus vai entrar ao serviço. Vamos fazer um enquadramento bem diferente do que foi na fase I, muito mais propício ao usufruto e à convivência por parte das famílias", adiantou.
"Fazer as afinações que forem necessárias"
"A obra está feita na fase I, restam algumas questões operacionais. No final de fevereiro, o metrobus estará a funcionar. No final de fevereiro, porquê? Porque vão decorrer testes dos veículos no canal. Também há questões ligadas à semaforização, segurança e à estação de hidrogénio, tendo a STCP disponibilizado um espaço provisório em S. Roque, até à instalação definitiva na Areosa", disse, por seu turno, Emídio Gomes.
"Haverá um período inicial que será gratuito para toda a população, de forma a que alguns detalhes que necessitem de correção possam ser aferidos e para fazer as afinações que forem necessárias", completou.
O presidente da Metro do Porto falou dos trabalhos a fazer: "Na fase II, herdamos uma situação em que havia um troço já intervencionado. Nada havia a fazer, entre o Colégio do Rosário e Antunes Guimarães. A partir daí e até ao Castelo do Queijo, também por aquilo que era intenção do município, foi possível concretizar e modelar a intervenção final".
O responsável explicou a solução encontrada para a Rotunda da Boavista: "Foi retomado o projeto inicial e o veículo vai circundar a rotunda de forma completa. Para garantir a operacionalidade haverá a redundância de um veículo suplementar. Quando um veículo atinge o topo da avenida, o outro já está à espera. É uma solução bastante simples, penaliza o desempenho material e económico da operação, mas garante o serviço à população nos tempos estimados".
Emídio Gomes não pôs de parte a hipótese, mais tarde, do metrobus vir a circular no interior da rotunda, se essa for a solução ideal. "Depois irá levar-nos a ajustes finais: sim ou não um corredor no interior da rotunda para os transportes públicos, não só para o metrobus como para a STCP, e os ajustes nessa localização", declarou sobre o assunto.
Além das três entidades presentes na assinatura, o memorando é "quadripartido" e inclui as "secretarias de Estado da Mobilidade e das Finanças, que também são parte ativa", conforme assinalou o presidente da Câmara do Porto.

