
António Coutinho não consegue aceder à garagem, que foi danificada pelo
Foto: Pedro Granadeiro
"Foi uma coisa terrível e muito difícil de traduzir por palavras". Este relato pertence a Joaquim Braga, que, esta terça-feira, presenciou o aluimento de dois muros, em Rechousa, na freguesia de Canelas, em Gaia. O incidente, provocado por fenómenos naturais, causou danos a várias garagens de um prédio habitacional. Mesmo não se registando feridos, o susto e os prejuízos materiais provocado pela ocorrência deixaram os moradores em alvoroço.
Passavam poucos minutos das 0 horas desta terça-feira, quando um estrondo tirou Joaquim Braga do sofá. Inicialmente, julgava ter sido um trovão, mas só quando foi à janela é que verificou que a chuva intensa fez com que os dois muros por cima das garagens do prédio aluíssem.
"Foi uma coisa terrível e muito difícil de traduzir por palavras. O prédio abanou todo e apanhámos um susto tremendo. Já para não falar no prejuízo, que neste momento ainda é incalculável, mas deduzo que vá ser muito grande", explicou Joaquim, que mora naquele prédio da Rua Belo Horizonte há 32 anos. Segundo relatou, ao JN, ficou com a garagem totalmente danificada.


"Tive de ir dormir a casa da minha filha"
Situação similar viveu António Coutinho, vizinho de Joaquim. Quando se apercebeu da situação, notou que a sua garagem foi uma das afetadas e, desde o incidente, nem consegue aceder à mesma. "Por acaso tinha tirado o carro uma hora antes para o levar à oficina, mas há vizinhos que ficaram com um buraco no carro após as pedras terem furado os telhados das garagens. Tive mesmo de ir dormir a casa da minha filha porque, como moro no rés-do-chão, os bombeiros recomendaram-me que não ficasse em casa", contou o morador, de 62 anos.

Os dois muros, que se encontravam numa quota superior em relação às garagens, não desabaram completamente e o receio dos moradores é que, com o agravar do mau tempo, o pesadelo se repita. "Como os meteorologistas prevêem que a situação se complique, acredito que o resto venha abaixo. Se não forem tomadas decisões rapidamente acho que é o mais provável de acontecer", explicou Joaquim Braga, de 70 anos.
Tendo em conta que ninguém ficou ferido, agora é hora de começar a pensar em travar a próxima luta. "Alguém vai ter de se responsabilizar por isto. No entanto, já sabemos que com os seguros é sempre complicado. Mas a ver vamos, vai tudo correr bem, se Deus quiser", concluiu, esperançoso, Joaquim.
No local estiveram os Bombeiros Sapadores de Gaia e a Proteção Civil, num total de cinco operacionais e duas viaturas.


