Nomeação de ex-Chega para chefe de gabinete de autarca de Bragança gera polémica

Isabel Ferreira, autarca de Bragança, defende que José Pires "não é rosto de nenhum partido há vários anos e que, à data da nomeação, é independente"
Foto: Rui Manuel Ferreira / Arquivo
A nomeação de José Pires, ex-cabeça de lista do Chega pelo círculo eleitoral de Bragança em duas legislativas, para novo chefe de gabinete da atual presidente da câmara, Isabel Ferreira, eleita como independente pela lista do PS, gerou grande descontentamento entre militantes socialistas.
Fonte do PS disse ao Jornal de Notícias que "há grande desagrado no partido e que vários históricos têm mostrado o seu descontentamento" porque José Pires "é o rosto do Chega em Bragança e foi candidato do partido".
O presidente da Concelhia de Bragança do PS, Rodolfo Moreno, referiu que o órgão a que preside "assume a escolha do chefe de gabinete como sendo da exclusiva responsabilidade do Executivo Camarário" e, por agora, não presta mais declarações sobre o assunto.
Além disso, vários socialistas não veem com agrado a colagem de Isabel Ferreira a um ex-candidato do Chega, visto que é mandatária no distrito de Bragança de António José Seguro, candidato que defronta André Ventura na segunda volta das presidenciais.
A nomeação de José Pires, professor, de 55 anos, que foi o primeiro presidente da União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo, em Bragança, eleito pelo PSD, foi conhecida esta semana, depois de o anterior chefe de gabinete, Paulo Afonso, ex-empresário da comunicação social, ter pedido a demissão umas semanas após ter assumido o lugar.
Ao que o JN apurou, José Pires não é atualmente militante do Chega nem de qualquer outro partido político, mas já esteve ligado ao PSD e, posteriormente, ao Aliança.
Instada a comentar a polémica, Isabel Ferreira explicou ao Jornal de Notícias que as nomeações são da sua exclusiva responsabilidade e, neste caso, foi feita de acordo com a lei. A autarca nega que José Pires seja o rosto do Chega ou de qualquer outro partido em Bragança. "À data da nomeação José Pires não era militante de nenhum partido. As pessoas devem avaliar, monitorizar e preocuparem-se com o trabalho realizado e não com espumas acessórias que não ajudam em nada à discussão daquilo que é relevante", realçou, sublinhando não ver qualquer incompatibilidade com a campanha para a segunda volta das presidenciais.
"Não se justifica fazer ligação às presidenciais. Estamos a falar de uma pessoa que não é rosto de nenhum partido há vários anos e que, à data da nomeação, é independente. Não é militante de nenhum partido", garantiu.
Eleita as últimas autárquicas, realçou ainda que se candidatou como independente pelo PS. "Eu não percebo essa questão partidária, não percebo mesmo. Eu fui bem clara na minha campanha. Eu trabalho com quem se revir no meu projeto e estamos a falar de uma pessoa que não é militante de nenhum partido", acrescentou.
