
Cerca de 50 metros do paredão da praia de Moledo estão destruídos.
Ana Peixoto Fernandes
O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), José Pimenta Machado, avaliou, este sábado, em "três a quatro milhões de euros" a intervenção que terá de ser realizada, com caráter de urgência, no paredão da praia de Moledo, em Caminha, que, nos últimos dias, ruiu completamente numa extensão de cerca de 50 metros.
Pimenta Machado visitou a zona afetada e mostrou-se impressionado com o estrago provocado pela força do mar na extensa e aparentemente robusta estrutura de pedra, construída há largas décadas. "Meu Deus", exclamou, quando chegou ao local e se debruçou, a partir de uma das escadas de acesso à praia, sobre a cratera e amontoado de pedras a que ficou reduzido o extremo norte do paredão, junto a um ao bar "Mergulho".
Após percorrer o areal em torno da zona destruída, acompanhado pelas autarcas de Caminha e de Moledo, Liliana Silva e Goreti Verde, o presidente da APA anunciou que aquela praia será alvo de duas obras distintas. Uma será "emergente e rápida para estabilizar a zona que está muito instável e para minimizar o impacto sobre a zona balnear e proteger pessoas e bens". Outra será "mais robusta e estrutural para adaptar toda a frente [de proteção] à ação do mar, o que sabemos que está cada vez mais difícil".

"Duas, três semanas temos de começar a fazer os trabalhos rápidos e imediatos. Retirar a pedra, arrumá-la, fazer um pequeno enrocamento na base para estabilizar este recuo e para proteger o efeito do mar", explicou Pimenta Machado, adiantando que, para a segunda fase de obra, têm de ser feitos "projetos, sondagens, ver onde está o enrocamento e, depois, fundar o muro até esses enrocamentos, para este ficar mais resiliente". Para essa intervenção, será necessário lançar um concurso público, contratar um projetista, fazer o projeto e, depois, avançar com novo procedimento para a execução da empreitada.
Para a primeira fase da obra, a estimativa de custos é de "três a quatro milhões de euros", de modo a tornar o muro da praia de Moledo mais resiliente e "fechar o encontro com a duna, que também está muito instável".
Economia depende dos turistas
"Moledo é uma praia muito bonita e muito mediática". A prioridade é "minimizar o impacto sobre a época balnear, para proteger as pessoas que vão fazer a sua praia. E, depois, fazer uma intervenção mais robusta e mais estrutural", especificou Pimenta Machado, confiante que a própria Natureza se encarregará de repor o areal. "Espero que estas tempestades marítimas terminem rapidamente. O mar vai acalmar e a areia que levou vai trazer. Não sabemos se vai trazer tanta como aquela que levou, mas tenho a certeza de que vai repor areia e criar condições para a época balnear", frisou. A APA vai monitorizar e acompanhar a costa.
Liliana Silva, presidente da Câmara de Caminha, sublinhou "o grande prejuízo" que a derrocada do paredão da emblemática praia pode trazer para aquele concelho, sobretudo com o aproximar da época balnear. "É algo que nos preocupa bastante, porque, nesta zona, vive-se muito da época balnear e da vinda dos turistas".
Danos até Vila Real de Santo António
O presidente da APA assinalou que, na próxima quarta-feira, será feito um balanço dos estragos causados pela intempérie em toda a costa portuguesa e nas zonas fluviais atingidas por cheias.
"Este ano, o país, e o litoral em particular desde Moledo até Vila Real de Santo António, foi atingido por tempestades que levaram a um conjunto de danos. Vamos apresentar o balanço das ocorrências na próxima quarta-feira, na APA Norte", indicou Pimenta Machado, sublinhando que não tem memória de um ano tão difícil, "desde a tempestade Hércules em 2013".
Na sessão de quarta-feira, será apresentado, também, o conjunto "de intervenções, a dois níveis: aquelas que são urgentes e imediatas e aquelas que são de curto e de médio prazo para preparar toda esta linha de costa e torná-la mais resiliente à ação do mar.

