
Novo presidente da cidade tomou posse esta quarta-feira
Foto: Pedro Granadeiro
Pedro Duarte tomou posse, esta quarta-feira, como presidente da Câmara do Porto, prometendo "contas certas" e uma "cidade segura". Embora deixando elogios ao antecessor Rui Moreira, presente e muito aplaudido na cerimónia no Mosteiro de S. Bento da Vitória, sublinhou ter chegado a "hora de melhorar a vida aos portuenses". Propõe-se também fazer do Porto o líder da região Norte.
No início do discurso, Pedro Duarte endereçou umas palavras ao presidente cessante, Rui Moreira: "Preservar a memória da cidade é também reconhecer quem a soube servir. O presidente Rui Moreira fê-lo com independência e coragem. E com o amor franco e leal que o Porto inspira. Deu uma nova vida à cidade - dos espaços que habitamos à cultura que nos une. Abriu o Porto ao mundo e deu mundo ao Porto. Nestes 12 anos, a cidade viveu uma transformação profunda e tornou-se uma referência internacional. Essa herança inspira-nos e responsabiliza-nos. Em nome da cidade, digo: Obrigado, caro Rui."

Foto: Pedro Granadeiro
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A seguir, lançou o ciclo que agora começa: "No dia 12 de outubro, os portuenses deixaram nas urnas um sinal claro: o desejo de mudança. Não de rutura com o passado, mas de olhar o futuro com novas lentes, com outro horizonte. Temos, por isso, o dever de imprimir um novo ritmo, uma nova energia, uma nova atitude."
Dizendo que "é com lucidez e coragem" que enfrentará os desafios, definiu "princípios claros, que serão a base da governação". A saber: "Primeiro: as nossas políticas terão um propósito inequívoco: resolver os problemas reais das pessoas e projetar um futuro próspero para as gerações vindouras. Segundo: governaremos com base no diálogo, na escuta e no consenso. A coligação "O Porto Somos Nós" é a expressão dessa atitude - governar com todos, para todos, com abertura e espírito construtivo".
Contra os "velhos do Restelo"
"Terceiro: manteremos o legado portuense das contas certas e da gestão responsável. A transparência será o alicerce da confiança - o primeiro sinal de respeito pelos cidadãos. Quarto: a proximidade será o coração da nossa ação. Estarei nas ruas, nos bairros, nos mercados e nas escolas, a ouvir de perto os portuenses. Porque governar é estar presente - é sentir o pulso da cidade onde ele verdadeiramente bate. Para concretizar essa política de proximidade, reforçaremos a cooperação estratégica com as juntas de freguesia, o primeiro rosto do poder local e o elo mais direto com as pessoas. Quinto: governaremos com coragem - com firmeza perante o conformismo e as falsas inevitabilidades. Com independência perante os interesses particulares. Com arrojo perante os velhos do Restelo. É hora de acelerar a procura de resultados. É hora de melhorar a vida dos portuenses", enumerou.

Foto: Pedro Granadeiro
A importância do Porto e do seu enquadramento na região Norte foi também abordada: "Também sabemos que os grandes desafios do nosso tempo pedem cooperação. O Porto não pode - nem quer - fechar-se sobre si próprio. Tem de ser pensado em rede e perspetivado em articulação com a Área Metropolitana, com a região Norte, com o País e com a Europa. Queremos que o Porto seja uma referência de cooperação e confiança entre os municípios da região. Uma cidade capaz de afirmar-se pela atitude construtiva, pela visão estratégica e pela capacidade de agregar. E é precisamente com esse espírito - e sem complexos - que deve assumir a sua responsabilidade de liderança: liderar para unir a região, para projetar o Grande Porto, para reforçar o papel do Norte e, desse modo, para fortalecer Portugal".

Foto: Pedro Granadeiro
"Acolher quem escolheu o Porto para trabalhar"
O reforço da segurança, já prometido durante a campanha, é outro eixo principal. "Essa será a medida do nosso trabalho: fazer do Porto uma cidade feliz. Uma cidade segura, onde se viva sem medo. Que acolha calorosamente os que escolhem o Porto para trabalhar e visitar - e a quem devemos muita da nossa vitalidade - mas que nunca se esqueça de cuidar dos que cá vivem", referiu.

Foto: Pedro Granadeiro
E porque o Porto não pode ser só turismo, prometeu diversificar: "Uma cidade que depende em excesso do turismo e do imobiliário corre o risco de se tornar refém do seu próprio sucesso. Precisamos de reforçar a nossa base produtiva e de apostar em bens e serviços transacionáveis. É tempo de diversificar, consolidar a economia do conhecimento, valorizar as indústrias criativas, atrair empresas inovadoras e proteger o comércio de proximidade, que sustenta a coesão da cidade".
"Dissemo-lo desde o primeiro dia: O Porto Somos Nós - somos todos nós. É tempo de unir. É tempo de sentir empatia. É tempo de ressuscitarmos o sentido de comunidade, de pertença e de entreajuda", concluiu.

