
Ivo Pereira/Global Imagens
Sofia fez um polvo, um peixe e uma concha. Joana quis também uma alga e uma raia e a pequena Joaninha três mimosos "peixinhos". As rendas de bilros - de fios coloridos, pois claro - foram aplicadas nos vestidos pela designer Eugénia Cunha como se, cada um deles, "de uma escultura se tratasse".
Os modelos das 40 crianças, alunas da Escola de Rendas de Vila do Conde, serão um dos pontos altos do desfile de moda "Bilros 2018", marcada para amanhã, às 21:30, na Praça Vasco da Gama.
Promover as rendas de bilros, dar-lhes novos usos e mostrar que, apesar de muito velhinhas, continuam na moda. Era este o grande desafio do concurso/desfile, criado pela Câmara de Vila do Conde. Em 2017, Eugénia Cunha juntou-se ao projeto. A desginer, que já havia aplicado à moda atual os bordados da madeira ou o traje de Viana, criou uma coleção com algas, feitas em renda de bilros, a partir de restos de redes de pesca.
Este ano, quis deixar, mais uma vez, uma mensagem ambiental: "Os restos de redes e os plásticos, que tanto poluem os nossos mares e afetam a fauna e a flora". E porque o tema "é muito oportuno" e "caro a Vila do Conde", que tem a maior comunidade piscatória do país e uma secular ligação umbilical ao mar, ninguém melhor para passar a mensagem do que as crianças.
Filipa vai desfilar pela primeira vez. Está "a adorar" a ideia. Na Escola de Rendas escolheu os motivos, fez as rendas e, agora, com o vestido pronto, não cabe em si de contente. Se, com isto ainda conseguir sensibilizar outros para o lixo no mar, será "perfeito". Carolina e Maria Miguel mostram as cores das rendas, que cada uma escolheu, aplicadas, agora, nos vestidos e Joaninha, a mais nova, com apenas 5 anos, sente-se "linda".
Para além das crianças, o desfile contará ainda com uma mostra de vestidos longos, desenhados por Eugénia Cunha e inspirados no áo dài (o traje típico vietnamita) e nos piques sobre os quais se fazem as rendas de bilros. Depois, há o concurso. São 18 rendilheiras da terra que criaram blusas, vestidos, brincos, colares, xailes e leques para mostrar que a renda, outrora invariavelmente branca e destinada a fazer dobras de lençol, paninhos de tabuleiro e toalhas de mesa, pode, hoje, ter muitas cores, desenhos e usos.
