
António Silva volta a reinar e Florbela Ferreira estreia-se no trono vareiro
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Reis do Carnaval de Ovar são figuras da terra e vão zelar para que não falte alegria a quem participar nas atividades.
D. Gayatus II - O Rei do Bronx e D. Belinha - A Misericordiosa, os reis do Carnaval de Ovar neste ano de 2026, são dois vareiros de gema que prometem estar atentos aos seus súbditos e viver o reinado com muita folia. Ele é repetente, ela estreia-se nas lides, mas um e outro ostentam a coroa com emoção.
Antes de colocar a coroa, D. Gayatus II era conhecido entre a plebe simplesmente como António Silva ou Tony Gaiato, já que esteve institucionalizado na Casa do Gaiato (Obra de Rua do Padre Américo), em Paço de Sousa, Penafiel, e a alcunha "colou". Tem 66 anos e foi, durante 45, encarregado-geral na Câmara de Ovar, tendo-se aposentado há poucos meses.
Desde a juventude que Tony contribui para abrilhantar o Carnaval vareiro. Começou por ajudar os Magnates (grupo já extinto), vestiu as cores dos Vampiros durante uma década e levou o símbolo dos Catitas ao peito sete anos. Também enquanto funcionário da Câmara integrou a organização dos festejos.
Para o agora rei, o carnaval é sinónimo de ser vareiro, pois no seu reino a folia vai-se "enraizando" desde a mais tenra idade e vive-se com "emoção" ao longo da vida. O Carnaval infantil, que mobiliza as crianças, e as pessoas com mais de 60 e 70 anos que continuam a "sair com os grupos" e a dar o seu contributo, são prova disso.
D. Gayatus II, que promete estar "presente" para o seu povo, recebeu o "convite honroso" do município com uma "alegria imensa". "Não há palavras que definam chegar a este topo e ser rei do Carnaval".
Pegou na alcunha popular e converteu-a em nome, acrescentando-lhe o II por estar a envergar o papel pela segunda vez. É que Tony já foi rei no ido ano de 1992. Nesses tempos havia um concurso para eleger o Rei do Carnaval e ele concorreu três anos seguidos até conseguir a coroa.
Como viveu durante anos na zona conhecida como Bronx, o local inspirou o cognome. Foi enquanto ali morou, aliás, que o agora rei conheceu a sua rainha. "Foi minha vizinha. Andei com ela ao colo, quando era pequenita", recorda.
Viver o "sonho"
Para sua majestade D. Belinha - A Misericordiosa, que é como quem diz, Florbela Ferreira, ser rainha é um sonho tornado realidade. "Desde pequena que dizia aos meus pais que, se não fosse princesa, um dia seria rainha. Este ano, o sonho concretizou-se", relatou.
A incursão na folia começou aos 11 anos, na escola de samba Juventude Vareira. Desfilou até 2015, ano em que teve um acidente de viação. E, 10 anos depois, foi uma das homenageadas quando a escola reviveu os melhores momentos.
Mas a folia corre-lhe no sangue e Florbela Ferreira, assistente operacional numa Escola Básica, continua ligada à sua Juventude Vareira nos preparativos de bastidores, ajuda a preparar o Carnaval infantil e participa noutros eventos onde a alegria impera, ou não fosse ela a orgulhosa porta-bandeira do Rancho da Ribeira nas marchas.
D. Belinha, que reside no bairro da Misericórdia, escolheu um "vestido grande" e garante que vai "estar presente em todos os eventos" que houver, a espalhar alegria. "Vivo para o Carnaval, é uma família".
