Sondagem de Sintra: Apoio aos idosos é a prioridade em população avessa a extremismos

77% dos inquiridos acha que o apoio a idosos e pessoas vulneráveis deve ser prioritário
Foto: Pedro Correia
Peso da juventude é de 40%, mas eleitores só colocam a habitação na sexta posição no ranking das prioridades. Chega tem de cativar eleitores que apreciam imigrantes.
Ana Mendes Godinho, candidata do PS, não se cansa de dizer que Sintra é o concelho com mais jovens no país. É verdade que 40% dos seus moradores têm até 35 anos de idade, indicador acima da média nacional (36%). Por paradoxal que possa parecer, a habitação, que habitualmente é a preocupação principal naquela faixa etária, em Sintra é apenas a sexta prioridade dos inquiridos na sondagem realizada pela Pitagórica para o JN, TSF e TVI/CNN. No topo está o apoio a idosos.
O ranking das preocupações sintrenses não deixa de ser um desafio para um partido como o PS, que tem o desejo natural de manter sob a sua alçada uma Câmara que é socialista há 12 anos, de forma ininterrupta. O problema, em teoria, é que Ana Mendes Godinho (em segundo lugar, com 30,3% das intenções de voto) só mostra algum ascendente eleitoral junto dos eleitores locais entre os 45 e 54 anos e também na faixa acima dos 65 anos. Neste aspeto, Marco Almeida, que representa a aliança PSD/IL/PAN e lidera esta sondagem (32,1%), apresenta maior vantagem entre a faixa etária dos 25-34 anos e as classes sociais de rendimentos elevados.
Quem pode ainda captar muitos votos entre a juventude é, sem dúvida, Rita Matias, até porque ela própria só tem 27 anos, com a vantagem acrescida de ser deputada nacional e alguém muito próximo do líder do Chega. A sua notoriedade pública, nomeadamente devido à presença em eventos e nas redes sociais, é indiscutível. Segundo a sondagem (que lhe atribui 24,5% das intenções, até um máximo de 28,3%), a representante do segundo maior partido na Assembleia da República consegue em Sintra maior simpatia na faixa etária dos 25-34 anos e entre as classes menos abastadas, onde há maior capital de queixas.
O grande óbice da candidata do Chega tem duas faces. A primeira, desde logo, reside no facto de prevalecer no concelho um sentimento positivo sobre a imigração, algo que não favorece o Chega, muitas vezes acusado de ser xenófobo. Em concreto, 52% concordam que os estrangeiros têm tido um papel positivo no município. A candidata tem o perfil certo (jovem e popular), surge na hora ideal (três mandatos seguidos do PS causam desgaste e o PSD desviou-se do formato AD), mas o local poderá ser o errado.
A desvantagem comparativa de Rita Matias pode ser sempre superada através da sedução dos indecisos (24%) e pela mobilização para as urnas dos abstencionistas que não têm acreditado nas soluções dos partidos tradicionais. No entanto, há outro obstáculo de monta: quando a ideologia é o que cada um diz ser, 45% posicionam-se ao centro e apenas 2% na extrema-direita. À partida, este será um fator que jogará contra o Chega, normalmente rotulado de radical de Direita. Como alerta a Pitagórica, estes valores refletem uma autoimagem de cada um dos sintrenses inquiridos, não correspondendo necessariamente às classificações ideológicas que possamos atribuir a este ou àquele partido.
Importância dos animais
Um fator que pode ajudar a decidir o voto será a atenção que cada partido ou coligação dá aos animais de estimação. Quase 60% dos inquiridos dizem ter algum animal de estimação, com especial preferência pelos cães e pelos gatos, sobretudo entre moradores da classe média alta. A aliança do PSD com o PAN (e IL) tem aqui uma vantagem?
Ficha Técnica
Sondagem realizada pela Pitagórica para o JN, TSF e TVI/CNN com o objetivo de avaliar a opinião dos eleitores recenseados no concelho de Sintra sobre temas relacionados com o município. O trabalho de campo decorreu entre os dias 13 e 18 de setembro de 2025. A amostra foi recolhida de forma aleatória junto de eleitores recenseados no concelho de Sintra e foi devidamente estratificada por género, idade e freguesia. Foram realizadas 955 tentativas de contacto, para alcançarmos 500 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 52,36%. As 500 entrevistas telefónicas recolhidas correspondem a uma margem de erro máxima de +/- 4,47% para um nível de confiança de 95,5%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.
