
Défice de profissionais é uma das razões apontadas para a sobrecarga nas Urgências de Aveiro
Foto: Orlando Almeida / Arquivo
Ordem dos Enfermeiros denunciou desgaste dos profissionais de saúde, após visita às instalações.
As Urgências do Hospital de Aveiro têm sido, nos últimos dez dias, "o segundo serviço de Urgência com maior sobrecarga, a nível nacional". A informação foi dada ao JN, ontem, pelo Conselho de Administração (CA) daquela unidade, com base em dados fornecidos pela Direção-Geral da Saúde. E surgiu como resposta às preocupações tornadas públicas pela Secção Regional Centro da Ordem dos Enfermeiros (OE), que, anteontem, visitou as Urgências em causa, tendo-se deparado com "claros défices de enfermeiros e de técnicos auxiliares de saúde" e com "uma equipa desgastada".
Os membros da OE referem ter assistido, na visita, a um cenário de "sobrelotação persistente", "tempos de permanência excessivos", "um número significativo de doentes internados a aguardar vaga" e, em alguns momentos, "uma ocupação muito superior à capacidade instalada". Além disso, constataram que a equipa de profissionais de saúde se encontrava "com evidentes sinais de labilidade emocional e potencial "burnout"".
As preocupações da OE prendem-se, também, com "constrangimentos na resposta noturna de algumas especialidades, dificuldades na referenciação clínica e ausência consistente de liderança médica de turno".
Reforços
Confrontado com as queixas dos enfermeiros, o CA do hospital referiu que começou a tomar medidas preventivas antes "desta sobrecarga começar a ser evidente", com a ativação, a 10 de dezembro, do nível 3 do seu Plano de Contingência de Saúde Sazonal - Módulo de Inverno, que contemplou, por exemplo, a suspensão de cirurgias programadas - excetuando casos "urgentes, muito prioritários e oncológicos". O objetivo foi "permitir o reforço da capacidade de internamento".
Entre outras medidas adicionais, o CA realçou que contratualizou, "com entidades externas, 30 camas extra" e que procedeu ao "reforço da equipa de enfermagem e dos técnicos auxiliares de saúde do serviço de Urgência, durante as 24 horas", alocando também enfermeiros da área cirúrgica para apoio às equipas das Urgências.
Apesar disso, o hospital disse reconhecer "a pressão a que os profissionais têm estado sujeitos nos últimos tempos e agradece a sua dedicação e profissionalismo". O CA afiançou, ainda, que se "reúne diariamente com o Gabinete de Crise, desde 10 de dezembro, com objetivo de encontrar soluções adequadas às necessidades diárias".
