
O transporte da população entre a localidade de Ereira e Montemor-o-Velho está a ser feito pelo Exército e pelos Bombeiros
Foto: Artur Machado
Os votos da segunda volta das eleições presidenciais na localidade de Ereira, em Montemor-o-Velho, que está isolada pelas águas, poderão ter de ser recolhidos de barco, no domingo, após o sufrágio, admitiu o presidente da Câmara Municipal.
Em declarações à agência Lusa, José Veríssimo disse esperar que o ato eleitoral decorra dentro da normalidade possível, mas observou que se a altura de água na via de acesso à freguesia da Ereira ultrapassar 1,20 metros, o transporte deixa de ser feito, como agora, pelos meios pesados dos bombeiros e Exército. "Acima de 1,20 metros, já temos plano previsto e os votos vão ser recolhidos de barco", revelou o autarca.
Atualmente, vincou José Veríssimo, a altura de água na estrada municipal 601, entre a ponte de Verride e o largo principal da Ereira ascende a um metro. Já nos campos agrícolas, o autarca estimou que a água ultrapasse os dois metros de altura, a caminho dos 2,5 metros.
Questionado sobre o local de voto na Ereira ser o mesmo - uma associação local - onde os bombeiros e militares do Exército ali destacados dormem e tomam as suas refeições, José Veríssimo enfatizou que "são situações diferentes", a agremiação possui vários espaços "e não vai haver interferências" na realização da segunda volta das eleições presidenciais.
A Ereira, onde residem cerca de 650 pessoas, será assim, se a situação de cheia controlada no vale do Mondego se mantiver, a única das 11 freguesias do concelho de Montemor-o-Velho, no distrito de Coimbra, em que o acesso poderá passar a ser feito através de embarcações.
Nas restantes, especialmente em localidades ribeirinhas da margem esquerda do Mondego, apesar de existirem estradas cortadas pela subida das águas do rio e dos seus afluentes, como o Ega, o autarca frisou que as freguesias "estão comunicáveis" e não isoladas.
Apesar de anuir a motivação das pessoas "não será a melhor" para irem votar, face ao mau tempo da última semana e às inundações em curo, José Veríssimo não deixou de apelar ao voto. "As pessoas estão condicionadas, mas a vida normal tem de continuar", defendeu.
