Angelina Jolie regressa à Ucrânia e o seu motorista acaba recrutado pelo Exército

Angelina Jolie durante a visita a Kherson e Mykolaiv, organizada pela Legacy of War Foundation
Foto: Legacy of War Foundation / AFP
A atriz e Embaixadora da Boa Vontade das Nações Unidas viajou de surpresa até Kherson e Mykolaiv, na Ucrânia, para chamar a atenção para os ataques russos contra civis. O que Angelina Jolie não esperava era que um dos seus motoristas fosse levado por militares ucranianos para o serviço obrigatório.
Angelina Jolie regressou à Ucrânia num gesto de solidariedade e coragem. A atriz e Embaixadora da Boa Vontade das Nações Unidas visitou, na quarta-feira, as cidades de Mykolaiv e Kherson, no sul do país, numa deslocação discreta e sem aviso prévio às autoridades locais.
A viagem foi organizada pela Legacy of War Foundation, uma organização internacional de beneficência, e teve como objetivo alertar para o impacto dos ataques russos com drones sobre a população civil.
Foi a segunda vez que regressou ao país desde a invasão russa.
(Foto: Legacy of War Foundation / AFP)
Durante a passagem pela região, Jolie encontrou-se com profissionais de saúde, voluntários e famílias que vivem sob ameaça constante. A artista visitou ainda escolas e unidades médicas subterrâneas, adaptadas para proteger civis durante os bombardeamentos, testemunhando a resistência de quem se recusa a abandonar o território.
"As pessoas de Mykolaiv e Kherson vivem com o perigo todos os dias, mas recusam-se a ceder", afirmou a atriz em comunicado divulgado pela fundação. "Num momento em que tantos governos abandonam a proteção dos civis, a sua força e solidariedade são verdadeiramente inspiradoras."
Visita interrompida por militares
O que era para ser uma missão humanitária acabou marcado por um episódio insólito. Segundo meios de comunicação ucranianos, a comitiva da atriz foi interpelada por agentes do Centro de Recrutamento Territorial durante a visita a Mykolaiv. Jolie, que terá atravessado a fronteira a pé, não informou previamente as autoridades da sua chegada, o que levantou suspeitas entre os militares.
Um dos motoristas que acompanhava a equipa foi levado para o centro de recrutamento. De acordo com o Comando das Forças Terrestres da Ucrânia, tratava-se de um homem nascido em 1992, oficial da reserva, que não tinha consigo os documentos necessários e não apresentava motivos válidos para estar dispensado do serviço militar.
O incidente foi rapidamente partilhado online e tornou-se viral, com a Internet a reagir entre o humor e o espanto perante o insólito episódio vivido pela estrela de Hollywood.
Angelina Jolie paid a visit to Ukraine for a photo op that went awry when her bodyguard was unexpectedly detained by a military press gang and mobilized to fight in the front lines. The photo op then continued as if nothing had happened. pic.twitter.com/X9CufbhudK
- Ian Miles Cheong (@stillgray) November 6, 2025
Esta foi a segunda visita de Angelina Jolie à Ucrânia desde o início da guerra. Em abril de 2022, a atriz esteve em Lviv, onde visitou crianças feridas e pessoas deslocadas. Desta vez, quis regressar às zonas mais atingidas pelos ataques russos e testemunhar a resiliência de quem permanece no país.
"Após quase quatro anos de conflito, o cansaço é palpável, mas também o é a determinação. As famílias anseiam por segurança, paz e a oportunidade de reconstruir as suas vidas", sublinhou Jolie.
Entre a solidariedade e as batalhas com Brad Pitt
Enquanto reforça o seu papel humanitário, Angelina Jolie continua envolvida numa disputa judicial com o ex-marido, Brad Pitt. O ator reclama 35 milhões de dólares (cerca de 32 milhões de euros), acusando-a de ter vendido a sua parte do castelo e dos vinhedos de Miraval, em França, sem o seu consentimento.
Segundo documentos apresentados em tribunal e revelados pela revista People, Pitt apresentou a queixa em 2023, alegando que ambos tinham acordado não vender as respetivas quotas sem autorização mútua. Jolie nega a existência desse pacto e afirma que a proposta de compra feita pelo ator incluía um acordo de confidencialidade "destinado a silenciá-la" sobre alegados abusos ocorridos em 2016, durante um voo privado da família.
A atriz garante que vendeu a sua parte de Miraval por necessidade e não por retaliação. "Nem eu nem os meus filhos voltámos àquela propriedade, por causa das memórias dolorosas. Vendi a minha parte porque precisava de estabilidade financeira e de uma nova casa", explicou.
O processo regressará a tribunal no próximo 17 de dezembro, numa audiência que promete reabrir feridas antigas e prolongar o confronto judicial entre as duas estrelas de Hollywood, que viveram antes um amor digno de filme.

