
Virginia Giuffre morreu em abril
Foto: Alba Vigaray/EPA
Um testamento não assinado tornou-se o ponto crucial da disputa pela herança de Virginia Giuffre, uma das mais notórias vítimas do empresário norte-americano Jeffrey Epstein. Os detalhes do documento vieram a público na sexta-feira, com o início das audiências no Supremo Tribunal da Austrália Ocidental, onde os filhos, a advogada de longa data e a ex-cuidadora disputam o controlo dos bens.
Documentos apresentados em tribunal revelam que, nas semanas que antecederam a sua morte, em abril, Giuffre redigiu um testamento e contactou a advogada, Karrie Louden, para que o elaborasse. Porém, a mulher morreu numa quinta na Austrália Ocidental, a 80 quilómetros a norte de Perth, sem assinar documento, deixando a herança oficialmente sem testamento.
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A existência do testamento não assinado está agora no centro das reivindicações concorrentes entre os filhos de Giuffre, Christian, de 19 anos, e Noah, de 18, que lutam em tribunal pelo controlo da herança. Os filhos rejeitam a alegação de que os documentos apresentados em tribunal por Louden e pela ex-cuidadora Cheryl Myers representem as últimas intenções da mãe.
"Tais instruções eram preliminares, visando a elaboração de um testamento, que não chegou a ser feito. A falecida não pretendia que tais instruções constituíssem o seu testamento", refere um documento judicial, citado pelo jornal britânico "The Guardian".
A contestação de Louden e Myers defende que o tribunal deve reconhecer as instruções verbais e escritas que receberam como um "testamento informal", que, de acordo com a lei da Austrália Ocidental, permite que certos documentos ou notas sejam validados como expressão das intenções de uma pessoa em relação ao seu património.
"Em 27 de fevereiro de 2025, a falecida elaborou um testamento informal por escrito. No dia 2 de abril de 2025, a falecida deu instruções verbais à primeira arguida [Louden], na presença da segunda arguida [Myers], para que elaborasse um testamento a ser assinado de acordo com a Lei dos Testamentos", refere a contestação da defesa. "Nomeio Cheryl Myers e Karrie Louden como minhas executoras e curadoras", lê-se num documento apresentado pela defesa.
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O património de Giuffre está estimado em pouco mais de meio milhão de dólares, mas o valor real é provavelmente muito mais elevado e inclui o que restou de um acordo extrajudicial de 12 milhões de libras (13,7 milhões de euros) que Giuffre terá recebido em 2022 de Andrew Mountbatten-Windsor, depois de esta ter alegado que ele a abusou sexualmente quando ela tinha 17 anos. A declaração de reivindicação de Christian e Noah inclui o Witty River Family Trust, um Toyota Kluger 2017, um Chevrolet Silverado 2024, um cavalo, joias, direitos de autor do livro de memórias de Giuffre e pertences pessoais na propriedade em Neergabby, onde a mulher morreu.
Mesmo que o tribunal acabe por considerar que existia um testamento informal, Christian e Noah argumentam que Giuffre não tinha capacidade para fazer um testamento na altura em que os documentos foram redigidos. Espera-se que os registos médicos constituam uma parte significativa das suas provas. Os autores da ação argumentam ainda que o alegado testamento informal não deve ser aceite porque Louden, advogada que registou as instruções, beneficiará financeiramente da herança. "A primeira ré [Louden] beneficiará da herança da falecida como beneficiário e tal benefício constituirá uma violação do dever fiduciário", refere a defesa apresentada na contestação.
Myers também consta como beneficiário do documento.

