Princesa Mette-Marit e ex-príncipe André ligados a arquivos dos abusos de Epstein

Andrew Mountbatten-Windsor e a princesa Mette-Marit de Noruega surgem nos novos documentos desclassificados sobre Jeffrey Epstein
Fotos: AFP
Novos documentos desclassificados nos EUA revelam encontros da princesa norueguesa e do irmão do rei Carlos III com Jeffrey Epstein. Mette-Marit pede desculpa, enquanto Andrew Mountbatten-Windsor mantém silêncio face às revelações.
Dias antes do início do julgamento do filho Marius Borg Høiby, marcado para 3 de fevereiro em Oslo, a princesa Mette-Marit volta a estar sob intenso escrutínio por relações passadas. Isto porque o seu nome surge em milhões de documentos recentemente desclassificados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos relacionados com Jeffrey Epstein, criminoso sexual que morreu na prisão em 2019. Entre os arquivos estão emails, fotografias e registos de contacto que também envolvem Andrew Mountbatten-Windsor, o ex-duque de Iorque e irmão do rei Carlos III.
O vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou que esta remessa representa o fim de um processo extenso de revisão e identificação de documentos, garantindo transparência e cumprimento das normas. A divulgação inclui três milhões de páginas, 180 mil imagens e dois mil vídeos, abrangendo desde correspondência pessoal até registos de viagens e encontros sociais.
Segundo os documentos, Mette-Marit utilizou a residência de Epstein em Palm Beach, na Florida, através de um amigo em comum, permanecendo lá quatro dias na companhia de uma amiga. Durante a visita, registaram-se encontros com o empresário, mas todos em contexto social, de acordo com esclarecimentos do Palácio. Emails também abordam recomendações de dentistas e outros contactos, sem qualquer implicação criminal.
A princesa reiterou o seu pedido de desculpas: "Jeffrey Epstein é responsável pelos seus atos. Devo assumir a responsabilidade por não ter investigado melhor os seus antecedentes e por não ter compreendido rapidamente que tipo de pessoa era. Lamento profundamente e é uma responsabilidade que devo assumir. Demonstrar falta de critério e ter tido contacto com Epstein é simplesmente vergonhoso".
Empatia vs silêncio
Mette-Marit expressou ainda "profunda simpatia e solidariedade com as vítimas dos abusos cometidos por Jeffrey Epstein", reforçando a postura transparente que mantém desde 2019.
Entre os arquivos destacam-se também fotografias que mostram Andrew Mountbatten-Windsor junto a uma mulher, algumas em que olha diretamente para a câmara e outras em que posa com a mão sobre o ventre da mulher.
Os documentos incluem ainda emails que indicam convites mútuos com Epstein, reuniões em residências privadas e visitas ao Palácio de Buckingham após a libertação do empresário da prisão domiciliária. Até agora, Andrew Mountbatten-Windsor não comentou estas fotografias nem os emails associados.
Sarah Fergunson e Trump também visados
Além do duque de Iorque, os arquivos mencionam outras figuras públicas, como a sua ex-mulher, Sarah Ferguson, que em comunicações de 2009 agradeceu a Epstein por "ser o irmão que sempre quis ter", mensagem que justificou como parte de um pedido de desculpas.
Há ainda alegações sobre Donald Trump, antigo amigo de Jeffrey Epstein. Segundo o site TMZ, os arquivos contêm denúncias de que o presidente dos Estados Unidos terá abusado sexualmente de uma adolescente há cerca de 35 anos, em Nova Jérsia. A vítima, com aproximadamente 13 anos na altura, relatou ter sido forçada a praticar sexo oral.
Os ficheiros mostram a ligação de Trump a Epstein e a participação em festas e eventos sociais, incluindo na residência de Mar-a-Lago. Até agora, não houve investigações públicas confirmando a veracidade das denúncias, mas a inclusão do seu nome nos arquivos reacende o debate sobre as redes de abuso do empresário.

