
Andrew Mountbatten-Windsor aparece em novas imagens integradas no processo Epstein
Foto: Aaron Chown / POOL / AFP
Fotografias tornadas públicas pelos EUA mostram o antigo membro da família real britânica em ambientes informais associados aos ficheiros Epstein. As autoridades sublinham que a presença de André Mountbatten-Windsor nas imagens não constitui prova de qualquer ilícito.
O ex-príncipe André, agora tratado como Andrew Mountbatten-Windsor, aparece em várias fotografias divulgadas no âmbito da investigação norte-americana a Jeffrey Epstein, segundo documentação tornada pública pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Numa das imagens, André surge reclinado no colo de várias mulheres, com os rostos ocultados por quadrados negros, enquanto Ghislaine Maxwell, antiga companheira próxima de Epstein, aparece em segundo plano, a sorrir.
A fotografia é não datada e, de acordo com vários meios britânicos, terá sido captada no salão de Sandringham, propriedade privada da família real em Norfolk. O antigo duque de Iorque surge visivelmente mais jovem, de olhos fechados e expressão descontraída, num ambiente doméstico que contrasta com o julgamento a que tem sido sujeito nos últimos anos.
As autoridades norte-americanas frisam que a simples presença de nomes ou imagens nos ficheiros não constitui prova de crime ou comportamento ilegal. Os documentos divulgados fazem parte de um vasto conjunto relacionado com as investigações sobre Epstein, que morreu numa prisão de Nova Iorque em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual.
Um contexto que reacende o escrutínio
Entre os ficheiros agora tornados públicos constam também fotografias de André ao lado de Epstein e Ghislaine Maxwell no camarote real do Royal Ascot, um dos eventos sociais mais exclusivos do calendário britânico. Noutra imagem incluída no mesmo lote, Maxwell surge sozinha à porta do número 10 de Downing Street, em Londres, sem qualquer indicação sobre a data ou o motivo da visita.
A relevância pública destas imagens está menos no que mostram isoladamente e mais no contexto em que surgem. A proximidade do então príncipe André ao círculo de Epstein tem sido alvo de intenso escrutínio e esteve na origem do seu afastamento da vida oficial da monarquia britânica, bem como da perda dos títulos e honras que detinha. O irmão do rei Carlos III sempre negou qualquer envolvimento em atividades ilegais.
Os documentos incluem ainda referências visuais a várias figuras públicas internacionais, como Bill Clinton e Michael Jackson, sendo reiterado pelas autoridades que não existe qualquer indicação de conduta ilícita por parte dos retratados.
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Também Sarah Ferguson, ex-mulher de Andrew Mountbatten-Windsor, surge em duas fotografias incluídas no conjunto agora divulgado. Numa, aparece numa rua ao lado de uma mulher não identificada; noutra, sentada num sofá verde, de pernas cruzadas. Os seus representantes recusaram comentar.
A divulgação dos ficheiros, exigida por lei até 19 de dezembro, gerou críticas de responsáveis políticos norte-americanos devido ao elevado nível de censura aplicado a muitos documentos. O Departamento de Justiça afirma ter optado por proteger as vítimas, num processo que continua a revelar detalhes sobre a forma como Epstein e Maxwell circularam em espaços associados às elites internacionais, mantendo aberto um dossiê que permanece sensível.

