
Sofia Ribeiro optou por abrandar o ritmo na televisão para se dedicar às sobrinhas Beatriz e Bianca, de quem é tutora, e prepara-se agora para estrear no teatro em "Dona Flor e Seus Dois Maridos"
Foto: Sofia Ribeiro/Instagram
Atriz decidiu abrandar o ritmo na televisão para se dedicar às sobrinhas, de quem se tornou tutora. Sofia Ribeiro garante como esta escolha lhe permite também colocar a própria vida e bem-estar em primeiro lugar, e fazer outras coisas, sendo que volta ao palco em breve.
Convidada do programa das tardes da SIC, Júlia Pinheiro, nesta terça-feira, 10 de fevereiro, Sofia Ribeiro falou sem rodeios sobre as mudanças na sua vida pessoal. A atriz explicou que decidiu abrandar o ritmo na televisão para se dedicar às sobrinhas Beatriz e Bianca, de 14 e 12 anos, de quem se tornou tutora, e ao desgaste emocional acumulado nos últimos anos.
"Há momentos em que pensamos: 'Meu Deus, será que vou ser capaz de tomar conta disto tudo?' Mas o que me move é mais forte do que isso tudo, é o amor que tenho por elas e a vontade que tenho de lhes dar o melhor que consiga, de lhes dar uma base sólida para poderem escolher o que querem ser e seguir uma vida apaziguada, é isso que procuro", afirmou Sofia. Revelou ainda que quer paz para as meninas e para si própria: "Quero paz para elas e para mim, revejo-me muito nelas e na história delas, que não é muito diferente da minha. Por muito que muitas pessoas à volta me dissessem para pensar bem na decisão que estava a tomar porque a minha vida iria mudar completamente e porque não teria uma rede de apoio, como seria expectável."
"Há momentos em que pensamos: 'Meu Deus, será que vou ser capaz de tomar conta disto tudo?' Mas o que me move é mais forte do que isso tudo, é o amor que tenho por elas e a vontade que tenho de lhes dar o melhor que consiga, de lhes dar uma base sólida para poderem escolher o que querem ser e seguir uma vida apaziguada, é isso que procuro", afirmou Sofia. Revelou ainda que quer paz para as meninas e para si própria: "Quero paz para elas e para mim, revejo-me muito nelas e na história delas, que não é muito diferente da minha. Por muito que muitas pessoas à volta me dissessem para pensar bem na decisão que estava a tomar porque a minha vida iria mudar completamente e porque não teria uma rede de apoio, como seria expectável."
A atriz contou que, desde que assumiu esta nova responsabilidade, a sua rotina mudou completamente. "De facto, a vida mudou, é totalmente diferente. Tinha uma liberdade e disponibilidade de fazer o que quisesse na minha vida e à hora que quisesse. Mas existem duas crianças adolescentes e a minha vida tem de ser toda programada também de acordo com a vida delas. No início, perdi-me totalmente, não sabia quem era nem o que andava a fazer..."
Os desafios do quotidiano
Sofia destacou a proximidade com as sobrinhas desde o nascimento: "Desde o momento em que elas nasceram, sempre fui muito próxima na vida delas, passávamos férias regularmente, todos os meses ia buscá-las para passar tempo comigo, o que não é a mesma coisa, mas sempre tive em mim este lado de cuidadora."
E admitiu que nem sempre é fácil: "Elas são crianças com uma bagagem muito além do que seria expectável até para um adulto. Naturalmente, testam muito os limites, põem em causa, têm um sem fim de características que são consequência das mazelas que têm. Não vamos aqui florear e dizer que é fácil lidar, porque não é, a vida deixa-nos marcas, mas eu sou uma mulher de fé neste lugar que estou a tentar criar, que é a nossa família e a nossa casa."
Sobre o afastamento da televisão, Sofia referiu coincidiu com um período exigente na vida pessoal e "inúmeros fatores que vinham do ano anterior", inclusive da inveja "Senhora do Mar". "Amei fazer, mas que foi extremamente exigente tentar gerir a vida com as crianças e situações familiares muito duras de gerir e houve um momento em que não estava a conseguir gerir tudo, estava emocionalmente muito frágil. Tive de dar um passo atrás porque não somos super-homens nem super-mulheres", confessou.
A atriz explicou ainda que recusar novos trabalhos foi uma necessidade: "Havia muita coisa para arrumar e organizar na vida pessoal, que me estava a exigir muita energia e que não estava a conseguir chegar a tudo. A minha profissão é muito importante e é um fio condutor da minha vida e é como um farol para mim que me coloca no eixo, mas a vida ensinou-me que quando falha tudo não há trabalho nem dinheiro que nos salve. Foi importante parar e deixar o trabalho de parte."
Sofia recordou também o período em que enfrentou um cancro da mama, destacando a importância de ouvir os sinais do corpo. "Quando fiquei doente, estava há dez anos sem folgas nem férias e estava a engatar umas novelas nas outras, foi um sem fim de coisas, não tinha vida, não parava, mal dormia, mal comia, a vida pessoal estava virada do avesso e aprendi a ler os sinais, a perceber que às vezes é preciso dar um passo atrás para dar dois à frente", sublinhou.
Apesar do afastamento, não se desligou completamente da profissão e quer explorar novos projetos: "Em 2025, não parei totalmente, fiz coisas em paralelo, também fui fazendo um trabalho que tenho vindo a tentar desenvolver: estive muito tempo praticamente só a fazer televisão, amo fazer televisão, mas sentia falta de fazer mais teatro, gostava poder fazer mais séries e cinema e este ano também veio com isso."
No dia 19, volta aos planos teatro com "Dona Flor e Seus Dois Maridos", adaptação da obra homónima de Jorge Amado, numa produção da Plano 6, no Auditório dos Oceanos, no Casino Lisboa. Sofia dará vida à sensual e atraente Dona Flor, dividindo o palco com os brasileiros Bruno Cabrerizo, que interpreta o malandro, boémio e sedutor Vadinho, e Vítor Hugo, que assume o papel do esposo sério, conservador e recatado.
"É uma negociação diária"
Com Júlia Pinheiro, Sofia Ribeiro falou ainda sobre a forma como gere a educação das sobrinhas, incluindo a decisão de não lhes dar telemóvel, uma escolha que, por enquanto, é exclusivamente dela. "Não, não têm telemóvel. Ainda não. É uma decisão difícil, acima de tudo pela envolvência, pelas pessoas que as rodeiam, pelas outras crianças e a decisão dos seus pais, que eu não condeno, é a deles, mas não é a minha", afirmou.
A artista explicou que esta opção também está ligada ao ritmo intenso da vida atual. "Eu acho que nem nós, adultos, estamos preparados para viver tanto tempo ligados como passamos, às vezes damos por nós e estamos a fazer scroll, ali há uma hora... E a informação! Eu, por exemplo, abro uma rede social e de repente é tanto drama, tanta coisa difícil que não há como aquilo não interferir em mim e na minha energia. É difícil para filtrar tudo, muito mais as crianças", acrescentou.
Por fim, Sofia revelou que "é uma negociação diária", em que explica às meninas o motivo de não ceder.

