
Atriz já pediu “apoio a polícias, médicos, assistentes sociais”
Foto: DR
Atriz nega acusações de abandono da progenitora, que foi encontrada a viver na rua, em Lisboa. Fala de problemas de saúde mental na família e da ausência de apoio institucional.
Sofia Ribeiro quebrou o silêncio após a sua mãe, Salomé Ribeiro, ter sido encontrada a viver na rua, na Avenida Almirante Reis, em Lisboa. A atriz tem sido alvo de críticas – entre elas, a de abandono – vindas até de familiares diretos.
Em resposta, Sofia decidiu explicar o contexto, sublinhando que “a saúde mental continua a ser um enorme tabu na nossa sociedade”, como sente há muitos anos.
“É uma luta constante para demasiadas pessoas e para as suas famílias. Uma luta tantas vezes solitária e silenciosa. O que é suposto fazer quando uma irmã agride a tua mãe, invade a sua casa, recusa-se a sair... Chamas a polícia mais do que uma vez, e dizem que percebem a situação, mas que nada podem fazer porque não foi em flagrante e porque é filha?”, começou por perguntar nas redes sociais.
"Um dia rebento"
Impotente e de férias em Nova Iorque, a artista admite não saber o que fazer quando a “mãe desaparece sem deixar rasto”. “De X em X tempo, sistematicamente, desaparece. O que fazer quando a tua mãe não faz a medicação necessária e recomendada para conseguir ter uma vida sã e minimamente equilibrada? Sendo que não a podes obrigar, nem consegues... porque te despedaça. E porque ela volta a fugir”, acrescentou.
Sofia diz que já pediu “apoio a polícias, médicos, assistentes sociais, tribunais – mas, até agora, nada”. “Somos seis filhos. Dois, com os mesmos problemas psicológicos da mãe. Os outros três, pelos seus motivos, não querem relação. Sobro eu. O que fazer quando te responsabilizas pela renda, contas, alimentação, mesada... mas tudo se repete?”, desabafou.
Sob escrutínio, a atriz pediu que lhe digam o que fazer. “Tenho lidado o melhor que sei e consigo com isto e com tantas outras questões familiares que tento resguardar ao máximo. Anos e anos assim... Tento seguir com a vida, focada nas minhas sobrinhas [que adotou], no meu trabalho, em mim, na minha saúde física e mental... Mas a verdade é que há dias em que me sinto a sufocar. E sinto que, se continuar assim, um destes dias rebento”, confessou.
"Não sei que mais fazer"
Sofia Ribeiro decidiu escrever este desabafo depois de muito ponderar. “Pensei bastante se devia, se pedia esta ajuda, se não... Mas juro-vos, do fundo do coração, não sei o que fazer mais, nem como fazer diferente. Só gostava que a minha mãe encontrasse alguma paz – e, com isso, o meu coração sossegasse”, concluiu, agradecendo “todas as mensagens de carinho”.
O caso reabre o debate sobre o estado da saúde mental em Portugal e os mecanismos (ou a falta deles) que existem para apoiar famílias em contexto de rutura. Sofia Ribeiro expôs-se e deu voz a um problema coletivo. v

