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Influenciador social digital: isto já é uma nova profissão

Influenciador social digital: isto já é uma nova profissão

Youtubers, instagramers, bloggers começam a dar lugar ao termo "influencers" - exatamente pela forma como inspiram quem os segue, despertando o investimento das marcas nas suas páginas. A atividade está em expansão e, segundo os entendidos, será das mais procuradas no futuro e não faltam exemplos de sucesso.

Muitos trabalham na área da televisão, moda ou desporto, mas também há quem saia do anonimato à boleia dos "gostos" no mundo virtual. "Hoje somos todos público, o que faz de todos nós potenciais influenciadores". É o que diz João Belo, da agência Naughty Boys, que representa a atriz Daniela Ruah, mas também a Maria Vaidosa, ou melhor, Mafalda Melo e Sampaio, mentora de dois canais no YouTube com 261 mil seguidores e que não se fica por aí. Um milhão acompanha mensalmente o seu blogue, no Facebook tem mais 78 mil fãs e no Instagram 266 mil (e 20 milhões de visualizações por semana). "O objetivo inicial era mostrar como me maquilhava, obter feedback e, quem sabe, até ajudar/influenciar pessoas com dicas de beleza e maquilhagem a ganharem confiança. Há cinco anos não se escolhia ser influenciador de profissão em Portugal, o conceito não existia".

Adaptação a um novo público

Atualmente, "as redes sociais são uma ferramenta importantíssima na comunicação", mas "para um influenciador digital conseguir vingar terá de ser profissional e comprometido, tanto com o público como com os seus parceiros", destaca Mafalda. Esta "influencer" edita ainda a revista "A Maria Vaidosa" - "o papel não vai acabar, precisa só de se reinventar e adaptar à linguagem e expectativas do novo público", diz.

No caso da apresentadora Carina Caldeira, foram os fãs que a alertaram para a importância das publicações no Instagram. "Apercebi-me quando comecei a receber muitas mensagens a perguntar o que tinha vestido ou de onde era o meu batom. Percebi que despertavam curiosidade", conta a portuense.

Muitos antes de se falar em influenciadores, há 14 anos, Ana Garcia Martins lançou o blogue "A pipoca mais doce" como "uma plataforma para escrever tudo o que me viesse à cabeça". O sucesso foi tal que há quatro anos deixou o jornalismo e suspendeu a carteira profissional. Ana lembra que "no início não havia esta vertente comercial" e "as marcas ainda não tinham percebido que a net era um bom meio para se promoverem de uma forma eficaz e mais próxima do público".

Aos 17 anos, Sofia Barbosa é conhecida pelo canal de moda e beleza Sofia B Beauty, seguido por mais de 200 mil pessoas no YouTube, o que já lhe valeu várias distinções. Estudante, não pára à conta do projeto que sente ser já a sua profissão. "O YouTube tem-me dado oportunidades incríveis e penso que adquiri conhecimento suficiente para perceber que talvez possa fazer isto por mais anos. Tenho sempre presente que tudo tem um fim, que nada está garantido, mas sei que, se as coisas forem bem feitas e pensadas, tudo correrá bem".

Humorista, Alexandre Santos diz que "o YouTube foi uma grande rampa de lançamento", ao ponto de ter participado no "Biggest deal" e já estar a gravar "A tua cara não me é estranha", na TVI. O alcance mediático levou ao interesse das marcas - o que, agora, até o obriga "a moderar a linguagem".

Lei ainda é ambígua

Todos os "influencers" contactados pelo JN assumem que identificam os conteúdos quando lhes pagam. Até porque "agora é mais fácil, pois há uma nova ferramenta do Instagram que permite mencionar as marcas que patrocinam a publicação", sublinha Anita Costa, autora de "Anita and the blog", para quem "a publicidade deve ser transparente". O mesmo defende o consultor de marketing digital Miguel Raposo, embora reconheça que "há legislação, mas não há regulação".

Quanto ao que cobram os influenciadores nacionais, "ainda é difícil estabelecer um valor-padrão", mas, "tendo em conta a influência e o alcance, não cobram assim tanto. Uma campanha digital pode custar 60/70 mil euros", diz.

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