
Para Marisa Matias é óbvio que "não se vai conseguir reduzir nunca a prevalência de diabetes em Portugal", sem se apostar na prevenção e a na educação
José Mora/Global Imagens
A cabeça de lista do BE às europeias alertou, esta quarta-feira, para o impacto negativo da austeridade no combate à diabetes em Portugal, prevendo-se a quase duplicação de casos na próxima década e a má alimentação é uma das causas.
Marisa Matias falava aos jornalistas no final de uma visita à Associação Protetora dos Diabéticos em Portugal, onde recordou que "a principal causa de morte no país são as doenças cardiovasculares", sendo a principal causa destas a diabetes.
"Estamos a falar de uma situação em que se prevê a quase duplicação do número de casos de diabetes em Portugal nos próximos dez anos porque já havia um crescimento gradual e com a crise ele está a agravar-se porque as pessoas estão infelizmente a comer muito pior, não têm dinheiro", alertou.
Segundo explicou a eurodeputada recandidata - que foi coautora da primeira resolução alguma vez aprovada no Parlamento Europeu sobre diabetes - os alimentos que as pessoas "com menos recursos podem comer são os mais ricos em gordura e que se transformam depois em níveis elevados de glicemia".
"São pessoas que quando chegam aqui já estão em níveis muito avançados quando poderiam nem sequer contrair a doença", advertiu.
Para Marisa Matias é óbvio que "não se vai conseguir reduzir nunca a prevalência de diabetes em Portugal se se continuar com um paradigma curativo", sem se apostar na prevenção e a na educação para a saúde.
"Se continuarmos com a política que temos atualmente - que procura cuidar dos efeitos sem muito sucesso porque são 10% do orçamento do Serviço Nacional de Saúde que são dedicados à questão da diabetes e das suas consequências - o futuro não será nada risonho", alertou.
Usando uma expressão utilizada pelo diretor do Programa Nacional para a Diabetes, a primeira candidata do BE ao Parlamento Europeu nas eleições do próximo domingo defendeu que a saúde tem que "sair das suas tamancas" e "apostar na formação, da educação, nos recursos humanos, numa capacidade de educação para alimentação e para o exercício físico", o que pode "prevenir 60% dos casos de risco, logo reduzir muito a prevalência".
