O primeiro subscritor da moção "Mudar para Mudar", António Fonseca Ferreira, lamentou "a anemia política do PS nos últimos anos" e defendeu que o Governo "não pode fazer as reformas contra as pessoas".
Na defesa da sua moção "Mudar para Mudar - Mudar o PS para Mudar Portugal", Fonseca Ferreira considerou o partido "nuclear da esquerda em Portugal" mas considerou que "o socialismo democrático está em grave crise de identidade".
"É tempo do PS tirar as suas ilações e retomar o debate. Os socialistas não podem conformar-se com políticas sociais assistencialistas, medidas louváveis em termos humanitários mas muito aquém do seu ideário", frisou.
O militante deixou claro que para os subscritores da moção "não está em causa a liderança do PS" e que José Sócrates tem tido "a coragem e a determinação para realizar as reformas e a mudança de que a sociedade portuguesa precisa".
"Mas os militantes, na sua maioria, sentem-se abandonados", lamentou, considerando que "com a actual liderança o PS afirmou a sua vocação de governo mas esvaziou-se como partido, enquanto colectivo de militância, de reflexão e elaboração programática e de intervenção social".
Para Fonseca Ferreira, o PS "não tem vida activa real, não tem debate, não tem contraditório, não tem criatividade, não interage com a sociedade, não reflecte os anseios e interesses dos seus apoiantes e militantes, que verdadeiramente não ouve".
"As nossas sedes são, na sua maioria, lugares inóspitos, desconfortáveis e tristes que não proporcionam o convívio e o debate. Há muitos militantes socialistas desmotivados. A sua participação nas eleições internas, muito reduzida, é prova disso mesmo", disse.
Lembrando que "foram a dedicação e espírito de luta dos militantes de base que levaram o PS uma vez mais ao poder", o delegado alertou que "a direcção não pode ignorá-los e muito menos abandoná-los".
Quanto às reformas em curso na sociedade, elas não podem ser feitas "sem as pessoas e muito menos contra as pessoas".
"As dificuldades que o Governo atravessou na Saúde e atravessa na Educação são precisamente resultado de medidas que podem estar correctas mas que carecem de ser explicadas e que precisam de mobilização solidária dos socialistas", referiu, defendendo governantes "com maior sensibilidade social, mais atentos às pessoas, determinados mas em diálogo com o país real".
Fonseca Ferreira considerou que a proposta incluída na sua moção de primárias para escolha dos candidatos às eleições para os vários níveis de poder é uma forma de dinamizar a democraticidade interna e defendeu um conjunto de outras reformas para melhorar o funcionamento do PS.
A criação de federações de âmbito regional, regras que "garantam condições de igualdade e transparência nas eleições internas", obrigatoriedade de declaração de interesses dos dirigentes partidários com funções executivas para evitar "promiscuidades entre políticas e negócios e recurso intensivo às novas tecnologias são algumas das medidas propostas por Fonseca Ferreira.
O delegado adiantou, aliás, que na segunda-feira será apresentado no partido o primeiro pedido para a criação de uma cibersecção, estruturas previstas nos estatutos do partido desde 2002 mas inexistentes até agora.
Considerando que o PS e outros partidos de esquerda democrática em todo o mundo são neste momento protagonistas do combate à crise internacional, Fonseca Ferreira questionou "o que anda a fazer a Internacional Socialista" e considerou que o partido "tem de empenhar-se numa intervenção activa" naquela estrutura "para que o socialismo democrático assuma a liderança reformadora global que a situação exige".
