
O dirigente socialista António Costa afirmou este sábado que os movimentos em nome da convergência da esquerda, em que participam Bloco de Esquerda e a corrente de Manuel Alegre, visam "exclusivamente dividir e enfraquecer o PS".
A posição do presidente da Câmara de Lisboa foi assumida na apresentação da moção global de estratégia do secretário-geral do PS, José Sócrates, na abertura do segundo dia do congresso dos socialistas.
"Não tenhamos quaisquer dúvidas sobre aquilo que os outros querem. Quando falam da convergência da esquerda não é a convergência do conjunto das forças da esquerda, mas uma convergência que visa única e exclusivamente a divisão do PS, enfraquecer o PS", sustentou o ex-ministro de António Guterres e José Sócrates.
Perante o congresso do PS, num discurso em que reforçou o compromisso dos socialistas a avançarem com um novo referendo à regionalização na próxima legislatura, António Costa procurou passar uma confissão, dizendo que se enganou em relação ao Bloco de Esquerda.
Contou então que, quando esta força política nasceu, acreditou que o PS poderia ter uma oportunidade para entendimentos políticos que criassem soluções de governabilidade à esquerda, esgotadas que estavam as hipóteses de acordos com o PCP em termos nacionais.
"Ao fim de dez anos não podemos ter mais nenhuma ilusão", afirmou, falando depois da sua experiência pessoal enquanto presidente da Câmara de Lisboa.
"Fizemos um acordo com o Bloco de Esquerda que foi escrupulosamente cumprido, algo que eles nem sequer contestam. Mas foi rompido pela única e exclusiva razão de terem sido reforçadas as competências do vereador [eleito pelo BE] Sá Fernandes e o Bloco de Esquerda ser completamente alérgico a assumir qualquer responsabilidade em relação a riscos de governação", sustentou.
Para António Costa, "a forma como o Bloco de Esquerda tratou o vereador José Sá Fernandes diz tudo sobre o que é o Bloco de Esquerda. É um partido oportunista, que parasita a desgraça alheia, mas incapaz de assumir os riscos da governação".
"Só a maioria do PS [nas próximas eleições legislativas] assegura à esquerda condições de governabilidade", acrescentou, recebendo palmas dos delegados socialistas.
Num discurso em que prestou homenagem ao "histórico" militante socialista Edmundo Pedro, que recentemente falou da existência de um clima de "medo" no PS, Costa fez uma alusão ao "tabu" de Manuel Alegre sobre a sua presença neste congresso.
Segundo o dirigente socialista, os congressos do PS "são momentos únicos em que se pode debater com liberdade".
"Só está cá quem quer estar cá", acrescentou.
