
O bispo emérito da Guarda repudia um comunicado da Diocese que põe em causa as suas faculdades e mantém que o padre suspeito de pedofilia no Fundão foi imprudente porque "se deitava com alunos".
Aliás, quando confrontado com o comunicado da Diocese da Guarda, D. António dos Santos manifestou-se incrédulo e, ao mesmo tempo, estupefacto com o atestado de insanidade que lhe acabava de ser passado.
Em declarações ao JN, o prelado tinha também deixado clara a sua surpresa com a prisão do padre Luís Mendes, 37 anos, vice-reitor do Seminário Menor do Fundão, após queixa apresentada na Polícia Judiciária por vários alunos e respetivas famílias por suspeita de ter abusado de vários menores dentro do estabelecimento.
A residir há oito anos em Santo António de Vagos, Aveiro, desde que resignou ao cargo de bispo da Guarda, D. António dos Santos garantiu no entanto, ao JN, que mantém contacto com a Diocese da Guarda e que está a acompanhar este caso " com muita dor".
De resto, na entrevista em que recordou o jovem "equilibrado" que admitiu no seminário da Guarda e que posteriormente ordenou, o bispo emérito da Guarda elogiou também a postura de abertura e colaboração do sucessor, D. Manuel Felício, diante de um caso que considerou "problemático" e inédito no país.
Embora tenha resignado por motivos de saúde, o bispo emérito continua ativo e ainda há uma semana, no passado dia 8, deslocou-se à Guarda para concelebrar a missa de ordenação de dois novos diáconos. "Estive com o senhor bispo emérito e pareceu-me muito bem", disse, ao JN, o padre Carlos Laje, que durante o bispado de D. António presidiu ao Tribunal Eclesiástico da Guarda.
Também o reitor da Universidade da Beira Interior (UBI), João Queirós, é um admirador do antigo bispo da Guarda. Diz que ele já não vai à Universidade tantas vezes como costumava, mas continua a ser convidado para cerimónias. A 30 de abril último, o bispo emérito esteve no doutoramento honoris causa do ex-presidente da república Ramalho Eanes. " D. António é sempre muito agradável e não notei nada de anormal quando conversei com ele", recordou.
Inquérito canónico
Em cumprimento das diretrizes do Vaticano, aprovadas em abril passado, o bispo da Diocese da Guarda, D. Manuel Felício, já abriu um inquérito às suspeitas que recaem sobre o padre do Fundão. Em paralelo e, ainda de acordo com as novas regras sobre a atuação da Igreja em casos de alegada pedofilia, a diocese comprometeu-se " a garantir total colaboração" com a justiça" e " a guardar silêncio durante a investigação". v
