
Bento XVI assegurou, esta quarta-feira, que resignou ao papado "em plena liberdade, para o bem da Igreja". O papa fez esta declaração no início de uma audiência pública, a primeira aparição depois de anunciar a sua resignação. O conclave para eleger o novo Sumo Pontífice não deverá realizar-se antes de 15 de março, segundo o porta-voz do Vaticano.
Bento XVI anunciou a sua resignação, na segunda-feira, devido à sua avançada idade e à falta de forças, permanecendo à frente da Igreja Católica até ao dia 28 de fevereiro.
"Queridos irmãos e irmãs, como sabem, decidi resignar ao ministério que o Senhor me confiou a 19 de abril de 2005. Fi-lo em plena liberdade para o bem da Igreja, depois de ter orado muito e de examinar a minha consciência diante de Deus", declarou o papa, diante de cerca de dez mil fiéis na sala Paulo VI, no Vaticano.
Bento XVI acrescentou que "é consciente da importância deste ato, mas também consciente de não ser capaz de levar a cabo o ministério de Pedro com a força física e espiritual que o requer".
"Apoia-me e ilumina-me a certeza de que a Igreja é de Cristo, a qual nunca vai perder a sua orientação e cuidado. Obrigada a todos pelo amor e pelas orações que me haveis acompanhado. Continuem a orar pelo papa e pela Igreja", concluiu.
Os milhares de presentes responderam com uma grande ovação, ainda maior à que lhe dedicaram à sua chegada à tradicional audiência de quarta-feira.
Um novo papa será escolhido até à Páscoa, a 31 de março, disse o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi. O conclave de cardeais no qual será eleito o sucessor de Bento XVI deverá realizar-se "a partir de 15 de março".
"O conclave não poderá começar antes de 15 de março, podemos prever que comece a 15, 16, 17, 18 ou 19", indicou o padre Federico Lombardi, fazendo referência à Constituição Apostólica que prevê um prazo de 15 a 20 dias para a convocação do conclave após a morte ou resignação do líder da Igreja.
"A decisão sobre a data é da responsabilidade dos cardeais que irão reunir em congregações" no Vaticano no dia seguinte à saída do papa, ou seja, 1 de março, acrescentou o porta-voz.
