Dirigente partidário diz que portugueses não devem estar preocupados com referendo suíço
Carlos Medeiros, vice-presidente do Movimento Cidadão de Genebra, partido a favor da iniciativa contra a imigração em massa, disse hoje que os portugueses não devem estar preocupados com o resultado do referendo de domingo.
"Os portugueses não devem ter medo. Pelo contrário, a iniciativa vai favorecer os que já cá estão no acesso ao mercado de trabalho", disse o lusodescendente à agência Lusa, acrescentando que o seu partido quer dar prioridade no acesso ao mercado de trabalho aos residentes, quer estrangeiros, quer suíços.
De acordo com o político, as autoridades da União Europeia é que deveriam estar preocupadas porque a livre circulação cria enormes problemas de distorção dos mercados de trabalho internos nos diferentes países.
"E eu estou convencido que se os outros povos da UE pudessem votar, o resultado seria o mesmo", afirmou, acrescentando que "o povo suíço demonstrou que não tem medo de assumir uma posição soberana e que prefere controlar o fluxo migratório".
Segundo o responsável, o resultado final do referendo mostra uma divisão entre cidades e zonas rurais, uma clivagem que, segundo Carlos Medeiros, implica uma reflexão sobre o melhor desenvolvimento para o país: "um desenvolvimento a todo o custo económico ou um desenvolvimento controlado respeitando o meio ambiente e as condições de vida das pessoas".
No domingo, 50,3 por cento dos suíços aprovaram em referendo uma iniciativa denominada "Contra a Imigração em Massa", proposta pela União Democrática do Centro (UDC), que também restabelece o princípio da preferência pelo trabalhador nacional face ao estrangeiro, que se encontrava abolida para todos os trabalhadores oriundos de algum dos países da União Europeia.
A partir de agora, o número de autorizações emitidas para uma estada de estrangeiros na Suíça é limitado por quotas anuais, com limitações ao reagrupamento familiar, novas regras para benefícios sociais, autorizações de residência.
A iniciativa agora aprovada prevê a revisão nos próximos três anos dos tratados internacionais contrários a estas disposições, uma decisão que afeta, entre outros países, as relações com a União Europeia.
Na Suíça, residem cerca de 250 mil portugueses e lusodescendentes, um número que tem aumentado nos últimos anos devido à crise em Portugal e na União Europeia.
