O PS considerou esta quinta-feira que o relatório do Observatório da Saúde demonstra "um gravíssimo" problema de "sofrimento" da população portuguesa no acesso aos cuidados de saúde e que as reformas estruturais do setor estão por fazer.
A posição dos socialistas foi transmitida aos jornalistas pelo deputado António Serrano na Assembleia da República, em reação à divulgação dos resultados do relatório de primavera do Observatório Nacional dos Sistemas de Saúde.
"O relatório traça um perfil muito preocupante, acentuando as dificuldades no acesso aos cuidados de saúde - matéria que tem sido abundantemente denunciada pelo PS. Há um problema gravíssimo de sofrimento da população portuguesa por dificuldade no acesso aos cuidados de saúde", sustentou o ex-ministro do segundo Governo de José Sócrates.
António Serrano acusou o atual Governo de ter ido para além do memorando da 'troika' (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) no que se refere ao processo de consolidação orçamental no setor da saúde.
"O Governo está a tomar outras medidas da sua exclusiva opção política. Essa opção política traduz-se em dificuldades no acesso, assistindo-se a um decréscimo das idas às urgências em Portugal (no setor do Estado) e, em simultâneo, a um aumento das idas às urgências no setor privado", referiu o deputado socialista.
De acordo com António Serrano, estes dados verificam-se em consequência "do aumento das taxas moderadoras muito acima do esperado e por se manter a ADSE para os funcionários públicos sem uma alteração estrutural, medida que é também requerida pelo memorando da "troika"".
"Também no âmbito do memorando, solicita-se ao Governo para que proceda a uma reorganização dos serviços hospitalares e a uma alteração profunda no sistema de financiamento dos hospitais. Mas essas alterações estruturais ainda não foram feitas pelo Governo e, por essa via, poder-se-iam poupar recursos que evitariam que muitos cidadãos ficassem sem acesso a cuidados de saúde e com dificuldade no acesso a medicamentos", apontou António Serrano.
