Desporto

Polémicas, erros e pecados do videoárbitro esta temporada

O videoárbitro começou a ser utilizado no futebol português em 2017 Pedro Rocha / Global Imagens

A tecnologia continua a não evitar falhas flagrantes e a não contribuir para tornar mais respirável o ambiente no futebol português. Críticas do F. C. Porto juntam-se a muitas outras de vários clubes.

As críticas às atuações e decisões, ou falta delas, do videoárbitro (VAR), por estes dias em tons de azul e branco, não são novas e continuam a ser bem audíveis nesta época, quase seis anos depois de a ferramenta ter entrado em vigor. As queixas de Pinto da Costa e dos dragões, após o F. C. Porto-Gil Vicente são apenas mais um episódio nesse espetáculo, sintomático também de que o recurso à tecnologia contribuiu pouco para acalmar e pacificar o futebol português. Pelo contrário, quando o VAR erra isso provoca ainda mais insatisfação, já que o recurso a imagens aumenta o grau de gravidade do erro.

Para além do Vizela-Benfica e do F. C. Porto-Gil Vicente, na 22.ª jornada da Liga, já houve outros casos mais ou menos polémicos que não abonaram nada em favor dos videoárbitros de serviço, com alguns erros graves e pouco compreensíveis, e a serem determinantes em resultados finais, não só em jogos do campeonato, mas também na Taça da Liga e na Taça de Portugal.

Recorde-se que o VAR só pode intervir em quatro situações: expulsões diretas, lances de grande penalidade, anular ou validar golos e identificação de jogadores. Diga-se ainda que o protocolo esclarece que o videoárbitro só deve intervir para corrigir "erros claros".

Eis os lances mais polémicos:

Benfica-Vizela (5.ª jornada): Gonçalo Ramos é derrubado na área vizelense, mas o árbitro Fábio Veríssimo entende que o avançado benfiquista simula e expulsa-o com o segundo amarelo. VAR não altera decisão. O Benfica venceu por 2-1.

V. Guimarães-Benfica (8.ª jornada): Na segunda parte, Florentino comete falta sobre André André dentro da área. Videoárbitro não intervém e ficou um penálti por assinalar a favor dos vitorianos. O resultado final foi 0-0.

Sporting-Casa Pia (10.ª jornada): Aos 89 minutos, com o resultado final já estabelecido (3-1), o sportinguista Chico Lamba travou Neto dentro da área, mas a grande penalidade a favor dos casapianos não foi assinalada, nem pelo árbitro nem pelo VAR.

Estoril-Benfica (12.ª jornada): Otamendi faz falta sobre Erison, atingindo o jogador estorilista na cara. Havia motivo para expulsão, mas o central benfiquista continuou em campo. Neste jogo, as águias somaram mais três pontos, vencendo por 1-5.

Boavista-F. C. Porto (13.ª jornada): Makouta atinge Otávio com o cotovelo, aos 90+4 minutos. O médio boavisteiro é admoestado com cartão amarelo, quando devia ter sido expulso. Os dragões venceram o dérbi, no Bessa, por 1-4.

Marítimo-Sporting (15.ª jornada): Aos 50 minutos, com o resultado ainda em 0-0, Léo Pereira derruba Pedro Porro dentro da área, mas a grande penalidade não é assinalada, com o VAR a validar a decisão do árbitro do encontro. Os leões perderiam o jogo (1-0).

F. C. Porto-Vizela (19.ª jornada): Kiko Bondoso comete penálti sobre Galeno, mas o lance passa em claro ao árbitro e ao videoárbitro. Mesmo assim, os portistas venceram por 2-0.

F. C. Porto-Rio Ave (21.ª jornada): Aos 29 minutos, Pepe atinge Boateng na cara dentro da área portista, mas o árbitro decide assinalar falta do avançado vilacondense sobre o central. Os dragões ganharam esse jogo por 1-0, graças a um golo aos 44 minutos.

Vizela-Benfica (22.ª jornada): O jogo que as águias venceram por 0-2 teve decisões muito contestadas pelos vizelenses. Aos 18 minutos, Otamendi derrubou Osmajic, quando este ia lançado para a baliza de Vlachodimos, mas não foi expulso, aos 53 minutos Bah derrubou o mesmo Osmajic na área benfiquista, mas nem Nuno Almeida nem o VAR assinalaram grande penalidade.

F. C. Porto-Sporting (final da Taça da Liga): Aos 67 minutos, longe da zona da bola, Wendell e Pedro Gonçalves desentendem-se, com o defesa portista a atingir o avançado do Sporting com um soco. João Pinheiro mostra amarelo aos dois jogadores e o VAR não corrige a decisão de não expulsar Wendell. O F. C. Porto venceu por 2-0.

Braga-Benfica (quartos de final da Taça de Portugal): Antes de alertar Tiago Martins para expulsar o benfiquista Bah, o videoárbitro de serviço não corrigiu a decisão inicial e deixou passar uma grande penalidade sobre Gonçalo Guedes, que poderia resultar no 0-2 para o Benfica. As águias acabaram eliminadas no desempate por grandes penalidades.

Vasco Samouco