Um militar da GNR que foi condenado a 13 anos de prisão, por crimes de burla e branqueamento de capitais, mas estava ao serviço em Felgueiras, barricou-se esta terça-feira, com a sua arma de fogo, no posto local, para evitar ir preso. O militar continua nas instalações, apesar da mobilização, no local, de várias equipas de negociadores e de intervenção.
Eram cerca de 15 horas quando o antigo militar do posto de Fafe António Sérgio da Silva Ribeiro, de 41 anos, foi abordado por colegas munidos de um mandado para o deterem e encaminharem para a cadeia, a fim de cumprir a pena de 13 anos. Inconformado, o militar refugiou-se na caserna do posto de Felgueiras, ameaçando suicidar-se.
A GNR acionou uma equipa de negociadores, que seguiram do Porto para Felgueiras, mas também uma equipa preparada para uma intervenção musculada. Por volta das 20 horas, o JN encontrou um ambiente relativamente calmo à porta do posto, com dois veículos da GNR e uma ambulância, mas com o correr das horas e das notícias na Comunicação Social, foram-se juntando mais meios da Guarda e muitos populares em torno das instalações policiais.
O advogado do arguido entrou no posto ainda antes das 23 horas, mas também não terá produzido efeitos imediatos junto do cliente, que se manteria intransigente.
Pela via processual, o advogado já tinha tentado evitar a prisão, sem sucesso. No dia 15 deste mês, o Ministério Público promoveu a emissão de mandado de detenção do arguido, para cumprimento da pena, e o advogado contestou, alegando que ainda estava pendente um recurso dos pais de Sérgio Ribeiro que podia alterar o acórdão condenatório e impedia que o mesmo transitasse em julgado.
O juiz titular do processo, porém, não aceitou mais delongas. Os crimes foram cometidos entre 2015 e 2019 e, em março de 2025, o Supremo Tribunal de Justiça confirmou a condenação do arguido, bem como dos seus pais e da sua mulher, conforme decidido pelo Tribunal Judicial de Guimarães em novembro de 2022 e pelo Tribunal da Relação em junho de 2024.
Uma vida faustosa
Sérgio Ribeiro liderou um esquema de burlas em que o seu pai, hoje na casa dos 70 anos, convencia amigos de que o seu filho estava com problemas pessoais e profissionais e precisava de dinheiro emprestado. Foram assim lesadas 28 pessoas, em mais de 400 mil euros.
As burlas permitiram ao militar e à mulher, advogada que fazia formação de juíza, uma vida faustosa, com viagens ao estrangeiro, a aquisição de roupa de marcas de luxo e de automóveis BMW e Porsche.
Prisão e suspensão
O militar chegou a estar preso preventivamente e, em sede disciplinar, também foi suspenso de funções. Mas o prazo da suspensão expirou e o militar regressou ao serviço. Foi então colocado na GNR de Santo Tirso, passou por Amarante e Penafiel, até chegar a Felgueiras.