Concerto

Tony Carreira: "A vida deu-me o melhor e o pior. A morte não destrói o amor"

Tony Carreira: "A vida deu-me o melhor e o pior. A morte não destrói o amor"

Bilheteira do concerto desta sexta-feira reverteu para Associação Sara Carreira.

Eram 20.30 horas desta sexta-feira quando Tony Carreira pisou o palco do Salão Preto e Prata do Casino Estoril. Barba feita, indumentária de gala, a voz trémula, os olhos raiados de água. "Vou começar por respirar fundo", disse. Respirou. "Já passou." Os mais de 30 anos de carreira que o músico já leva, as dezenas de salas esgotadas em todo o mundo e as múltiplas platinas conquistadas, de pouco servem para acalmar a angústia de um pai que volta a pisar o palco pela primeira vez depois de ter perdido a filha.

O concerto integrado na digressão "Estou aqui" foi para ela, Sara, 19 anos, a vida ceifada há sete meses num acidente de viação. E a receita da bilheteira - 400 pessoas, 40% da lotação do recinto, cumprindo indicações da Direção-Geral de Saúde - foi para a associação criada em seu nome, com o propósito atribuir bolsas de estudo a crianças e jovens carenciadas, para que possam concretizar "sonhos".

"Estará ali o pai muito mais do que o cantor", anteciparam, minutos antes de o concerto arrancar com o tema "A Escola da Vida", os amigos e apresentadores de televisão Cláudio Ramos e Manuel Luís Goucha.

A noite adivinhava-se íntima, a plateia cheia de amigos e figuras públicas - do treinador Jorge Jesus à comunicadora Júlia Pinheiro, passando pela atriz Carla Andrino, o apresentador Fernando Mendes ou compositor Toy -, a presença dos jornalistas e fotógrafos limitada aos dois primeiros temas de um alinhamento com duas dezenas de canções. Foi nesse ambiente reservado que Tony Carreira, 57 anos, a recuperar de um enfarte do miocárdio sofrido em junho, fez nova tentativa de falar com a plateia que gritava repetidamente o seu nome.

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"Vou falar o menos possível, para que isto acabe bem", avisou. "A vida deu-me o melhor e o pior. Mas a morte não destrói o amor. Quero acreditar que a minha filha está hoje aqui connosco." Era impossível segurar a emoção. E não segurou. O autor de "Sonhos de menino" agradeceu também ao Casino, ao público e ao país. "Quero agradecer ao Casino o facto de a bilheteira reverter para a associação da Sara. Obrigado também às pessoas que estão aqui esta noite. E aos dez milhões de portugueses. Não tenho mais palavras", disse.

Talvez não tenha falado mais, mas ainda cantou muito, ele que já revelou que só consegue compôr canções para a filha. Seguiram-se temas como "Tu levaste a minha vida", "Se acordo e tu não estás" ou "A saudade de ti". O próximo álbum, que está em preparação, deverá refletir isto mesmo: a ausência e o esforço para continuar a viver numa altura em que, como já afirmou o artista que o governo francês condecorou em 2016 com a medalha de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras, só quer desistir.

A digressão será retomada em outubro, com concertos em Guimarães (dia 2) e Elvas (16). O cantor passa pelo Porto a 6 de novembro e por Lisboa a 27.

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