Mulheres com Tomates juntam-se para dar "visibilidade às mulheres ligadas à terra" e pela "igualdade"

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Agricultoras, produtoras, empresárias, biólogas e cientistas vão sentar-se à mesma mesa para debater a produção alimentar no feminino. Terra Mãe é o tema da sexta edição do certame "Mulheres com Tomates", que vai ter lugar a 15 de novembro, em Carcavelos, e vai contar com visitas a hortas e workshops.
A sexta edição do certame Mulheres com Tomates volta a colocar as mulheres no epicentro do debate e reúne quem trabalha a terra, quem produz, quem cria, quem investiga e quem aconselha alimentação saudável e sustentável. O evento, que vai ter lugar a 15 de novembro, em Carcavelos, e que vai contar com visitas guiadas, workshops e debates, quer tornar visíveis as mulheres que trabalham numa área que ainda é historicamente dominada por homens.
Patrícia Conde, fundadora da agência criativa NUTS e promotora deste encontro que nasceu em 2017, crê que o mote Terra Mãe trará a debate a projeção rumo "à igualdade de género nas profissões, de oportunidades, de tratamento, igualdade salarial e também de reconhecimento", refere responsável por escrito à Delas.pt. "Porque existem muitos prémios e distinções e continuam a ser maioritariamente os homens a serem reconhecidos", sublinha.
No sábado, no Mosteiro de Santa Maria do Mar, em Sassoeiros, Carcavelos, estarão à conversa a diretora-geral de sustentabilidade Inês Vasconcelos Luís, responsável pela componente científica e integração das métricas ESG [Ambiental, Social e Governança], a agricultora e empresária da exploração familiar Monte da Sancha, Inês Dragão, e a gestora agrícola do projeto de agricultura regenerativa Vivid Farms, Ana Carvalho. Com estas empreendedoras, empresárias e estrategas estarão também a nutricionista Catarina Vasconcelos e Elisabete Galiano, responsável estratégica da Categoria Vegetais e Produtos de Tomate, na empresa Sumol+Compal SA.
À delas.pt, Patrícia Conde espera que Terra Mãe, que pode ser acedido por bilhete, mostre o lado feminino ainda silencioso do setor, numa antecipação daquele que será o Ano Internacional da Mulher na Agricultura, definido para 2026.
Porquê este tema Terra Mãe, agora, em 2025? O que impulsionou a escolha?
Todos os anos tentamos trazer ao nosso evento temas relacionados com as mulheres da gastronomia e da hospitalidade e não podemos falar de alimentação sem falarmos da produção. E esta tem vários ângulos, não é só sobre as produtoras, existem investigadoras, gestoras de produto, estrategas, nutricionistas que têm na terra e nos seus frutos o objeto da sua vida profissional. A agricultura e as atividades relacionadas com a terra sempre estiveram muito associadas à figura do homem, talvez pela força física exigida por estes trabalhos nos primórdios. Hoje em dia já não é assim. No entanto, são poucas as mulheres que dão a cara nestes temas, o que despertou em nós a vontade de puxar este assunto e dar voz às nossas "Mães Terra". Curiosamente, nas nossas pesquisas para a preparação do tema, descobrimos que 2026 será o Ano Internacional da Mulher na Agricultura e quisemos abrir as hostilidades, abrindo consciências para o tema já este ano.
As mulheres na gestão do campo e do ambiente são muitas vezes invisíveis, que reivindicações quer trazer para esta mesa deste evento?
Acima de tudo o evento Mulheres com Tomates quer dar visibilidade as estas mulheres ligadas à terra: ouvir as suas histórias, as suas partilhas, os seus desafios e conquistas.Acredito que dando mais visibilidade e criando mais oportunidades de dar palco as estas mulheres, tantas vezes invisíveis, estamos a dar-lhes importância e a mostrar à opinião pública e aos decisores do país o papel de relevo que todas elas têm, da produção à investigação. A visibilidade passa muito pelo reconhecimento de valor e estas e outras mulheres que dedicam a vida a produzir os nossos alimentos merecem todo o nosso respeito e admiração. Penso que iniciativas destas inspiram outras mulheres a lançarem-se em atividades e áreas predominantemente e historicamente masculinas.
Como organizadora, quais foram os desafios sentidos na identificação e escolha das oradoras?
Felizmente existem muitas mulheres interessantes no mundo da produção e transformação dos produtos agro-alimentares, com muito mérito e trabalho feito, e a seleção tornou-se difícil por isso. Um dos critérios da nossa seleção foi o de termos convidadas com uma linguagem acessível a todos os públicos e não demasiado hermética e técnica e que tivessem também como foco a questão da sustentabilidade. E todas elas, de uma forma ou de outra, têm essa preocupação, pensam no futuro da alimentação e nas gerações vindouras.
O que é possível esperar desta edição?
Vai ser uma manhã de sábado muito bem passada, com atividades ao ar livre como a visita às hortas comunitárias biológicas, que têm também um papel social, a visita ao projeto da Câmara de Cascais de recuperação das vinhas velhas do maravilhoso Vinho Carcavelos com produção biodinâmica e regenerativa. Teremos um mercadinho da terra onde vamos poder provar e comprar produtos de marcas portuguesas, um workshop, literalmente da Horta para o Frasco, com Polyanna Marinho que nos vai ensinar a preservar e fermentar legumes e, depois, a nossa habitual mesa redonda onde vamos poder ouvir o testemunho das nossas convidadas, mulheres muito inspiradoras numa conversa sobre a forma de produzirmos alimento, o futuro da alimentação e o desafio de ser mulher na agricultura.
Em que medida espera que esta conversa possa influenciar ou trazer novas ideias para medidas políticas e hábitos alimentares?
Penso que eventos como este e outros que dão voz e palco às mulheres. Seja em que área for, contribuem para a igualdade de género nas profissões: igualdade de oportunidades, igualdade de tratamento, igualdade salarial e também de reconhecimento, porque existem muitos prémios e distinções e continuam a ser maioritariamente os homens a serem reconhecidos. É importante que nenhuma mulher se sinta constrangida na sua opção profissional por uma questão de desigualdade. O evento Terra Mãe também vai abrir a consciência dos consumidores relativamente à suas escolhas alimentares, o público vai sair do evento com mais noção de como se produzem os alimentos, o impacto que tem no nosso planeta e na nossa saúde. Se levarem desta manhã de partilhas um pouco mais de conhecimento, então cumprimos a nossa missão.

